Seeb Porto Alegre registra 153 ataques a bancos no RS em 2008

A violência nos bancos no Rio Grande do Sul aumentou 9,28% em 2008 em comparação com o ano anterior. Segundo o levantamento mensal do Sindicato dos bancários de Porto Alegre e região (SindBancários), realizado com base em notícias da imprensa e informações da categoria, foram apurados 153 ocorrências, das quais 56 na Capital e 97 no Interior. Em 2007 aconteceram 140 casos. O Banrisul foi o banco mais visado pelas quadrilhas.

A estatística, organizada pelo Departamento de Comunicação do SindBancários, leva em conta assaltos, tentativas, arrombamentos, furtos e seqüestros. “O nosso foco é levantar as situações de violência que trazem insegurança e colocam em risco a vida de bancários, vigilantes, clientes e usuários”, explica o diretor do SindBancários e representante no Grupo de Trabalho de Segurança Bancária, Ademir Wiederkehr. “Queremos reforçar com esses números a necessidade de políticas públicas e medidas preventivas para combater a violência”.

“Esse crescimento é resultado, por um lado, dos problemas de segurança pública, pois faltam policiais e viaturas nas ruas. Não adianta a governadora Yeda festejar déficit zero, enquanto faltam investimentos em segurança e são cortados recursos em áreas como saúde e educação. Por outro lado, os bancos não destinam parte de seus lucros astronômicos para melhorar a segurança. Eles sequer cumprem a legislação, como a lei municipal de Porto Alegre que obriga a instalação de vidros blindados nas fachadas das agências e postos”, avalia o dirigente sindical.

Bancos mais atacados

O Banrisul foi o campeão de ataques a bancos, com 42 casos, o que representa 27,45% das situações de violência no Estado. Em segundo lugar ficou o Sicredi, com 29 ataques, o que significa 18,95%,seguido do Banco do Brasil com 18 (11,76%), Itaú com 17 (11,11%) e Bradesco com 16 (10,45%).

Mais uma vez, chama a atenção o número reduzido de ataques contra a Caixa Econômica Federal, em comparação com os demais bancos. A instituição federal, que possui enorme rede e opera os programas sociais do governo, sofreu quatro ocorrências. “O projeto Agência Segura, a adaptação das unidades à lei municipal de Porto Alegre que prevê a colocação das portas giratórias antes do autoatendimento e a contratação de empresas especializadas em segurança para a guarda da chave do cofre são algumas medidas que explicam a queda nos ataques na Caixa”, aponta o diretor do SindBancários.

Veja o número de ataques por banco:

– Banrisul: 42
– Sicredi: 29
– Banco do Brasil: 18
– Itaú: 17
– Bradesco: 16
– Santander: 8
– Real: 7
– Unibanco: 5
– HSBC: 5
– Caixa Econômica Federal: 4
– Cooperativa de Crédito Rural: 2
– Total: 153

Meses mais visados

Conforme o levantamento, março foi o mês em que ocorreu o maior número de ataques. Foram verificados 17 casos, dos quais seis foram no Itaú e quatro no Banrisul. Setembro registrou 16 ataques, seguido de junho com 15.

Dezembro registrou 13 ocorrências, apesar da Operação Papai Noel, deflagrada pela Brigada Militar, com apoio do SindBancários, para reforçar o patrulhamento das imediações dos bancos, devido ao pagamento do 13° salário e às compras de Natal.

Veja o número de ataque em cada mês:

– março: 17
– setembro: 16
– junho: 15
– julho, agosto, fevereiro e dezembro: 13
– janeiro e abril: 12
– maio e novembro: 10
– outubro: 9

Estatuto da Segurança Privada

Além do aumento dos investimentos em segurança pelo governo Yeda e pelos bancos em 2009, a atualização da lei federal n° 7.102/83 é outra medida fundamental. Trata-se de uma legislação obsoleta, que precisa ser revista pelo Congresso Nacional.

“No último dia 18 de dezembro, durante audiência com o ministro Tarso Genro, em Brasília, pedimos o envio do projeto de lei que cria o Estatuto da Segurança Privada, em fase final de elaboração pela Polícia Federal, mas que traga avanços concretos”, destaca Ademir.

“Queremos que a nova lei garanta equipamentos mínimos nos bancos, como portas de segurança em todos os acessos destinados ao público, câmeras de vídeo com monitoramento fora do local controlado e vidros blindados nas fachadas dos estabelecimentos. Também reivindicamos a proibição do transporte de dinheiro e da guarda da chave do cofre pelos bancos, bem como a obrigatoriedade de pelo menos dois vigilantes em cada unidade”, propõe o sindicalista.

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