Santander enrola e Fórum de Saúde e Condições de Trabalho não avança

Terminou sem avanços nesta quarta-feira (3) a retomada do Fórum de Saúde e Condições de Trabalho do Santander, em São Paulo. Os representantes do banco enrolaram mais uma vez e não atenderam as demandas encaminhadas pela Contraf-CUT, federações e sindicatos para garantir um ambiente saudável de trabalho e evitar o adoecimento de trabalhadores.

“Saímos da reunião com mais pendências do que entramos porque o banco não trouxe soluções para os problemas de saúde e travou a construção de alternativas”, avaliou o funcionário do Santander e secretário de imprensa da Contraf-CUT, Ademir Wiederkehr. “Esse novo descaso empurra cada vez mais os bancários para a mobilização”.

Fim das metas abusivas

Para o diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Marcelo Gonçalves, uma dos principais reivindicações discutidas foi o fim das metas abusivas que são impostas aos funcionários.

“Reivindicamos mudança de paradigma, com a participação dos funcionários na definição das metas. Consideramos essa medida essencial para combater o assédio moral e o adoecimento de trabalhadores em função dessa pressão diária”, frisou Marcelo. Mas o banco não aceitou a proposta dos bancários.

Programa de Reabilitação Profissional

Os dirigentes sindicais reivindicaram a instalação na segunda quinzena de abril de um grupo de trabalho para discutir a implantação de um programa de reabilitação profissional, previsto desde 2009 na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos bancários.

“Precisamos retirar esse programa do papel antes que vire letra-morta”, desafiou Ademir. O banco reconheceu “que está em débito”, mas se limitou a dizer que no prazo de até 60 dias vai estudar uma proposta de encaminhamento.

Pesquisa de saúde e condições de trabalho

O Santander negou também a proposta das entidades sindicais de fazer uma pesquisa acerca da saúde e das condições de trabalho dos funcionários em todo o país. Nem mesmo as recomendações da OCDE sobre a necessidade de “realização conjunta de consultas e cooperação” e “o acesso a informações necessárias para negociações significativas sobre as condições de trabalho” sensibilizaram o banco.

Para Ademir, o chamado “banco do juntos” é apenas uma jogada de marketing, pois o movimento sindical não tem acesso aos dados sobre a saúde dos funcionários. “Queremos conhecer a realidade, a fim de construir propostas para transformá-la e melhorar a vida das pessoas”.

“A situação era diferente nos bancos adquiridos”, lembrou a diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Vera Marchioni, citando uma pesquisa feita pela Fundacentro no Banespa e outra do Observatório Social no Banco Real.

Cipa e participação dos sindicatos na Sipat

O Santander ainda se negou a formar um grupo de trabalho para discutir o funcionamento das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (Cipas) nos locais de trabalho. “O banco trata com descaso a maioria das demandas encaminhadas pelos cipeiros que, muitas vezes, nem sequer têm resposta do banco para os problemas. A Cipa é um instrumento fundamental para melhorar as condições no ambiente de trabalho e para prevenir o surgimento de doenças ocupacionais entre os empregados”, apontou Marcelo.

“Observamos que o banco trata a Cipa como uma questão burocrática e não quer debater avanços com o movimento sindical. Nem mesmo a tragédia da Boate Kiss, em Santa Maria, onde morreram 241 jovens, sensibiliza o banco para discutir como melhorar a prevenção de incêndios, bem como evitar acidentes de trabalho”, ressaltou Ademir.

Além disso, o Santander se recusou a discutir com os dirigentes sindicais a organização e o conteúdo da programação da Semana Interna de Prevenção de Acidentes (Sipat). O banco se limitou a dizer que efetuará uma comunicação prévia de 30 dias aos sindicatos, informando data, local e eventos programados.

Procedimentos sobre assaltos, sequestros e extorsões

Os dirigentes sindicais cobraram atendimento médico e psicológico às vítimas de assaltos, sequestros e extorsões, bem como às suas famílias, além da emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) e do fechamento do estabelecimento no dia da ocorrência, o que muitas vezes só ocorre depois da pressão de sindicatos.

O banco disse que tem acionado as áreas envolvidas, buscando garantir atendimento às vítimas, mas que a CAT só tem sido emitida após avaliação médica. “Queremos CAT para todos os que presenciaram assaltos e foram sequestrados, bem como a entrega de cópia do boletim de ocorrência (BO) para as vítimas”, reiterou Ademir, que é o coordenador do Coletivo Nacional de Segurança Bancária da Contraf-CUT

Plano de saúde aos aposentados

Os representantes do banco anunciaram que farão uma reunião específica para discutir a manutenção do plano de saúde dos aposentados, a partir da nova regulamentação da ANS (Agência Nacional de Saúde). As entidades sindicais defenderam a permanência dos planos das mesmas condições vigentes quando na ativa.

Exame demissional

Os dirigentes sindicais reivindicaram a reintegração de funcionários demitidos, cujos exames demissionais apontam a condição de “inapto”, a exemplo de um trabalhador de Cuiabá. O banco respondeu que “em tese” essas dispensas são revertidas.

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