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Em discurso na OIT, Lula cobra taxação de fortunas: “não há democracia com fome”

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Durante fala, que aconteceu no lançamento da Coalizão Global por Justiça Social, Lula reforçou pautas defendidas pelo movimento sindical brasileiro: o impacto da inteligência artificial nos empregos, a taxação dos super ricos e desafios da crise climática

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) lançou nesta quinta-feira (13), durante a 112ª Sessão da Conferência Internacional do Trabalho (CIT), que acontece em Genebra, na Suíça, a Coalizão Global por Justiça Social, com discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Como afirmou o Papa Francisco, não há democracia com fome, nem desenvolvimento com pobreza e nem justiça na desigualdade. Por isso, aceitei o convite do diretor-geral Gilbert [F. Houngbo] para copresidir coalizão", declarou o chefe do Executivo do Brasil.

Ao longo do discurso, Lula reforçou a necessidade de taxação de grandes fortunas e destacou que o Brasil está impulsionando a proposta nos debates do G-20, grupo formado pelos ministros de finanças e chefes dos bancos centrais das 19 maiores economias do mundo mais a União Africana e União Europeia.

"Nunca antes o mundo teve tantos bilionários. Estamos falando de 3 mil pessoas que detêm quase US$ 15 trilhões em patrimônio. Isso representa a soma dos PIBs do Japão, da Alemanha, da Índia e do Reino Unido", destacou.

A presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e vice-presidenta da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Juvandia Moreira, que assistiu in loco ao discurso, avaliou que as falas de Lula foram muito importantes, sobretudo sobre a taxação dos super ricos. "Essa é uma campanha que nós bancários e da CUT já fazemos, há bastante tempo", completou.

Impacto das tecnologias

O presidente do Brasil também alertou para os impactos da inteligência artificial (IA) no modo de vida. "Teremos que atuar para que seus benefícios cheguem a todos e não apenas aos mesmos países que sempre ficam com a parte melhor. Do contrário, tenderá a reforçar vieses e hierarquias geopolíticas, culturais, sociais e de gênero. Um terço da população mundial está fora da Internet, e parcela ainda maior não usufrui de conectividade significativa”, disse, completando que “o poder computacional necessário para mover suas engrenagens é desigualmente distribuído".

Para Juvandia, o destaque à exclusão digital e à necessidade de reverter esse processo, tornando a produção de tecnologia um processo realizado pelos países em desenvolvimento, é fundamental para solucionar o desemprego causado pela implementação da inteligência artificial, em diversos setores da economia.

“Nós participamos, ontem (12), da primeira reunião tripartite sobre os efeitos das tecnologias disruptivas, como a Inteligência Artificial (IA), no trabalho, a ser realizada pela OIT, no âmbito desta conferência”, acrescentou a presidenta da Contraf-CUT, lembrando que, segundo estudo do FMI, a IA afetará 40% dos empregos em todo o mundo, o que poderá aprofundar ainda mais as desigualdades sociais.

“Alertamos que, atualmente, apenas cinco grandes empresas detém a maior parte dos nossos dados”, pontuou Juvandia, com base em palestra realizada pelo professor e ativista digital Sérgio Amadeu, durante a 26ª Conferência Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, segundo o qual Amazon, Microsoft, Alibaba, Google e Huawei são responsáveis por 81,2% do mercado mundial de infraestrutura de serviços. “Estamos falando de grandes corporações, que concentradas em sua maioria fora dos países desenvolvidos, possuem o controle de todos os nossos dados, podendo influenciar economicamente e politicamente no mundo”, completou a dirigente.

Meio ambiente

A questão sobre o meio ambiente não ficou de fora do discurso de Lula. "As transições energética e digital já impactam trabalhadores de todos os países. Os efeitos da mudança climática têm deteriorado a qualidade de vida ao redor do mundo: 2,4 bilhões de trabalhadores são afetados diretamente pelo calor excessivo", observou.

“Com essas afirmações, o presidente Lula destacou que não existem saídas para as resoluções dos conflitos climáticos, e que atingem aos trabalhadores, sobretudo dos países em desenvolvimento, sem a colaboração de todos os setores”, acrescentou a presidenta da Contraf-CUT. “Aqui lembramos que a discussão sobre tecnologia é, mais uma vez, importante, porque a tecnologia também é responsável pela emissão de gases de efeito estufa, com as toneladas de gases que são emitidos para manter a temperatura dos milhares de servidores dos data centers”, completou.

Avaliação do discurso de Lula

Para a presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região (Seeb-SP) e também coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro, as falas de Lula contemplaram as pautas de luta do movimento sindical. "Foi um discurso muito forte, por justiça social, combate às desigualdades, pela tributação dos super ricos e repensando a IA, as tecnologias, a modernidade, de forma a tratar bem toda a humanidade", acrescentou.

A secretária de Relações Internacionais da Contraf-CUT, Rita Berlofa, concluiu que, “além de abordar a questão da desigualdade, mostrando que o avanço tecnológico, da forma como está acontecendo, concentrado nas mãos de poucas empresas, aprofunda a pobreza e a crise climática, Lula reforçou a necessidade de paz mundial e condenou, novamente, o massacre na Faixa de Gaza, pedindo o término do conflito na região e também o fim da guerra entre Rússia e Ucrania”.

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