Banco do Brasil e Caixa Federal finalizam projeto de novo centro de dados

Depois de três anos de discussões, o Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal (CEF) ajustam os últimos detalhes do plano para erguer um grande centro de dados em Brasília. A projeção é de que a infraestrutura, que será compartilhada pelos dois bancos para rodar suas operações de tecnologia da informação (TI), consumirá investimentos de aproximadamente R$ 250 milhões.

O novo quartel general de TI dos bancos será erguido na chamada “Cidade Digital”, um local escolhido pelo governo do Distrito Federal para, futuramente, ser transformado em um polo de tecnologia da cidade.

No fim de junho, o Comitê Gestor das Parcerias Público-Privadas (PPP), coordenado pelo Ministério do Planejamento, publicou a resolução aprovando a minuta do edital e do contrato elaborado pelos bancos.

A PPP, baseada na modalidade de concessão administrativa, prevê que o vencedor seja responsável pela obra civil e a instalação de equipamentos no novo prédio, além das operações de manutenção e suporte. De acordo com o edital o edital, o centro de dados vai ocupar 24 mil metros quadrados de área construída.

A empresa – ou consórcio – que assumir o contrato será o prestador dos serviços de tecnologia da informação dos bancos pelo prazo de 15 anos. Nesse período, estima-se que o projeto movimentará cerca de R$ 1 bilhão.

Segundo o secretário de Ciência e Tecnologia do Distrito Federal, Izalci Lucas, o vencedor da PPP deverá ser conhecido nesta semana.

A construção do centro de dados, comenta José Luís Prola Salinas, vice-presidente de tecnologia do Banco do Brasil, poderá levar até dois anos para ser concluída.

A ideia de montar um centro de dados compartilhado é um plano antigo da CEF e do BB. Neste mês, a consulta pública da PPP do projeto completa três anos desde a primeira vez que foi apresentada.

A previsão inicial dos bancos era de que a licitação definitiva fosse realizada em dezembro de 2006, com a construção do prédio projetada para ser concluída no ano seguinte. Uma série de revezes relacionada ao local da obra, no entanto, paralisou o projeto.

A proposta atual prevê que, depois de explorar o contrato de serviços por 15 anos, a empresa vencedora repasse para os bancos toda a infraestrutura. “A partir desse centro de dados conseguiremos acelerar a criação da ‘Cidade Digital'”, comenta Salinas. “Nossa presença será um atrativo para que outras empresas venham para a região.”

Hoje, além do centro de dados que mantém em operação dentro do Serviço Federal de Processamento de Dados – o Serpro, empresa de tecnologia do governo federal -, o BB possui estruturas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Já a CEF conta atualmente com quatro centros de dados, sendo um deles no Rio, outro em Osasco (SP) e os demais em Brasília.

Quando o novo prédio estiver pronto, informa a CEF, o plano é transferir os equipamentos de um dos centros de dados de Brasília para as novas instalações.

A expansão de infraestrutura do BB envolve ainda a construção de um segundo centro de dados, dessa vez fora da Cidade Digital. O novo prédio, que começou a ser construído no ano passado, custará mais R$ 150 milhões ao banco. “Vamos usar essa segunda estrutura para centralizar os equipamentos e processos que hoje estão hospedados no Serpro”, diz Salinas.

A união tecnológica do BB e da CEF marca um segundo capítulo na estratégia de aproximação dos bancos ligados ao governo federal. Desde fevereiro de 2005, Banco do Brasil e Caixa compartilham seus terminais de auto-atendimento (ATMs) e os caixas das casas lotéricas.

Juntos, os dois dois bancos somam um orçamento bilionário de tecnologia. Só o BB, que conta com um time de 3 mil profissionais na área de TI, reservou um orçamento de R$ 1,3 bilhão para este ano. A CEF, que injetou R$ 2 bilhões em tecnologia no ano passado, previa um aumento de gastos entre 7% e 10% para este ano. Na área de tecnologia, o banco conta com um contingente de 2,3 mil profissionais.

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