Sindicatos cobram de Mercantil do Brasil sobre demissões

Banco insiste em demitir e fechar plataformas em Salvador, Brasília e Recife
  • Banco insiste em demissões
  • Movimento sindical quer nova reunião
  • Entidades querem aplicação da cláusula 62 da CCT

Entidades sindicais da categoria bancária se reuniram nesta terça-feira (22) com a direção do Mercantil do Brasil para cobrar o fim processo de reestruturação da empresa. O banco anunciou o fechamento das plataformas de serviços em Salvador, Brasília e Recife. A medida provocou, somente este mês, 18 demissões.

O encontro reuniu representantes do banco, sindicatos, a Federação dos trabalhadores do Ramo Financeiro de Minas Gerais (Fetrafi-MG) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT). As entidades sindicais reivindicaram que as demissões fossem substituídas pela adesão voluntária à cláusula 62 da Convenção Coletiva do Trabalho (CCT) dos bancários. Essa cláusula trata da requalificação e a realocação de empregados, com o objetivo de aprimoramento técnico.

A aplicação da cláusula 62 se dá em situações específicas decorrentes de reestruturações organizacionais, como encerramento de atividades, encerramento de locais, mudanças tecnológicas ou mudanças nas atividades que redundem em obsolescência do conhecimento dos empregados em atividade nessas áreas.

Banco insiste em demitir

O Banco Mercantil negou o pedido para o cancelamento das demissões. Argumentou que o fechamento das plataformas foi ocasionado pelo baixo retorno financeiro e que o foco principal do Banco se concentra nas praças em que saiu vitorioso nos leilões de pagamento de aposentados e pensionistas do INSS.

O representante do banco afirmou que poderão ocorrer novas demissões pontuais em toda a sua rede de agências. O Banco Mercantil também se negou a aderir voluntariamente à cláusula 62 da CCT.

Reivindicações

Diante à intransigência do Mercantil do Brasil, as entidades sindicais reivindicaram a extensão até 31 de dezembro deste ano do acordo ao conquistado junto ao Ministério Público do Trabalho/MG. O acordo, de junho de 2020, concede aos bancários demitidos uma série de benefícios.

Entre eles está o pagamento de indenização aos demitidos a partir de R$ 3.500,00. Desse pagamento, R$ 2.500,00 são uma rescisão complementar a ser paga em dinheiro através de depósito em conta corrente. Já os outros R$ 1.000,00 serão pagos no cartão da cesta alimentação.

Também está incluído a majoração da indenização de requalificação profissional prevista na CCT bancários para o valor de R$ 2.000,00. O valor será reembolsado através de apresentação de nota fiscal correspondente ao curso escolhido pelo bancário, com data limite para apresentação no dia 31/12/2020.

Outro benefício é a ampliação da assistência médica hospitalar e do plano odontológico por mais seis meses, sem prejuízo aos prazos garantidos e determinados pela CCT, além da prorrogação pelo mesmo período do seguro de vida no valor de R$ 130.000,00.

O Mercantil do Brasil ficou de responder às reivindicações ainda esta semana. Na reunião, representantes do banco sinalizaram que que poderão atender ao pedido de extensão dos benefícios apenas aos trabalhadores de Salvador, Recife e Brasília, que foram diretamente desligados por conta do encerramento das plataformas.

Críticas

Para Marco Aurélio Alves, funcionário do Mercantil do Brasil e coordenador nacional da COE BMB, a luta dos sindicatos tem que ser pela manutenção dos empregos “O Mercantil do Brasil não tem por que demitir, uma vez que continua lucrando alto, em torno de 74 milhões nos seis primeiros meses do ano. Cobramos que o Banco tenha responsabilidade social e não demita durante essa crise sanitária sem precedentes”, disse Marco Aurélio.

Magaly Fagundes, presidenta da Fetrafi-MG, as demissões não têm nenhuma justificativa, frente ao momento financeiro favorável que a empresa atravessa. “O movimento sindical cobra do banco a majoração sobre as indenizações e benefícios, como forma a amenizar o sofrimento dos funcionários demitidos em plena crise sanitária e econômica, que dificultará muito o reposicionamento destas pessoas no mercado de trabalho”, afirmou Magaly.

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