Quase dois terços dos trabalhadores temem ficar desempregados, diz pesquisa

Mais da metade dos cidadãos ouvidos pelo levantamento que se declararam apoiadores de Bolsonaro (54%) afirmaram temer o desemprego
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Além de desaprovar a reforma da Previdência do governo Jair Bolsonaro, os brasileiros temem ficar desempregados. Segundo pesquisa CUT/Vox Populi divulgada nesta segunda-feira (8), 62% dos entrevistados têm medo do desemprego, enquanto apenas 37% não demonstram essa preocupação e 1% entre os pesquisados não souberam ou não quiseram responder. A pesquisa foi realizada entre os dias 1º e 3 de abril.

Mais da metade dos cidadãos ouvidos pelo levantamento que se declararam apoiadores de Bolsonaro (54%) afirmaram temer o desemprego. Entre os eleitores anti-Bolsonaro, 68% se manifestaram temerosos de perder o emprego. O desemprego já chegou a 13,1 milhões de pessoas no Brasil, de acordo com o IBGE.

Na opinião do presidente da CUT, Vagner Freitas, o estudo CUT/Vox Populi revela que os brasileiros estão percebendo a situação na própria realidade. De acordo com os dados da pesquisa, entre os entrevistados, 44% afirmaram ter entre um ou mais desempregados na família. 

“Temer garantiu que a reforma trabalhista geraria 8 milhões de empregos em dois anos e o resultado foi o aumento do desemprego. As pessoas estão percebendo isso. Estão sentindo na pele o drama em suas famílias”, diz Vagner.

“E agora Bolsonaro quer ampliar a informalidade, tirar ainda mais direitos com a reforma da Previdência, e criar uma geração de miseráveis. É mentira que essas reformas (Trabalhista e da Previdência) geram empregos e o povo já sabe disso”, afirma o dirigente.

Já para o presidente da República, a culpa dos números negativos é da metodologia do IBGE. “Com todo respeito ao IBGE, essa metodologia, em que pese ser aplicada em outros países, não é a mais correta”, avaliou ele na semana passada. “Leva-se em conta quem está procurando emprego. Quem não procura emprego, não está desempregado”, disse ainda.

Na opinião do presidente da CUT, apenas o crescimento econômico, com distribuição de renda e aumento do emprego formal, pode gerar emprego.

A percepção de 78% dos entrevistados é de que as taxas de desemprego são maiores hoje do que há três anos, enquanto 13% acreditam que diminuiu, 8% acham que não mudou e 1% não soube ou não quis responder.

A impressão de piora é alta mesmo entre os pesquisados pró-Bolsonaro. Para 72% deles, o quadro hoje é pior do que há três anos, quando o país ainda era governado por Dilma Rousseff. Já para os entrevistados anti-Bolsonaro, a situação do mercado de trabalho está pior para 85%.

Petrobras

A pesquisa CUT/Vox Populi também perguntou aos trabalhadores se são a favor ou contra a privatização da Petrobras. Quase dois terços, ou 65%, responderam ser contra, 25% a favor e 15% não responderam.

O estudo quis saber quem seria o principal beneficiado com a venda da estatal brasileira. Na opinião de 35%, apenas empresários, acionistas e investidores se beneficiariam, enquanto 25% responderam que apenas o governo federal sairia beneficiado e, para  19%, a privatização traria benefícios para todo mundo.

Em outra abordagem da pesquisa, 65% dos brasileiros se manifestaram contra a reforma da Previdência. De acordo com o estudo, 26% são a favor  da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6/2019, enquanto 9% não souberam ou não quiseram responder.

A pesquisa entrevistou 1.985 pessoas com mais de 16 anos e foi realizada em 120 municípios do Brasil, entre capitais, regiões metropolitanas e interior. A margem de erro é de 2,2%, estimada em um intervalo de confiança de 95%.

Confira mais dados da pesquisa:

CUT-VOX – DESEMPREGO E PRIV…

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