Na ONU, Dilma faz discurso cauteloso, mas cita ‘grave momento’ do país

Em seu discurso na manhã de hoje (22), em Nova York, a presidenta Dilma Rousseff enfatizou a participação do Brasil no acordo sobre o clima, assinado nesta sexta-feira, e fez menção breve à situação política no Brasil, ao falar sobre o "grave momento" por que passa o país. Sem falar em golpe ou impeachment, ela enfatizou que a sociedade soube "vencer o autoritarismo e construir uma pujante democracia" e que seu povo, "trabalhador e amante da liberdade", saberá evitar qualquer tipo de retrocesso.

Dilma participa da assinatura do chamado Acordo de Paris, um novo pacto sobre o clima, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU). Previsto para entrar em vigor em 2020, o acordo foi aprovado no final do ano passado na capital francesa, durante a 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP21). Uma das principais metas é limitar o aumento da temperatura global neste século.

A referência ao momento político foi feita no trecho final do pronunciamento, em que Dilma agradeceu também a solidariedade que disse ter recebido de líderes internacionais. Havia expectativa quanto ao teor do discurso, que de antemão era criticado por líderes do movimento pelo impeachment, preocupados com a repercussão internacional de seus atos. A presidenta centrou sua fala no acordo climático e disse ter orgulho da contribuição brasileira nas discussões, elogiando o papel da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

"Demos respostas firmes e decisivas para a construção de um amplo consenso", afirmou Dilma, acrescentando assumir o compromisso de assegurar a participação do Brasil em uma "conquista histórica da sociedade". Assinar o acordo, segundo a presidenta, foi a parte "fácil" do processo. O desafio passa a ser "transformar nossas ambiciosas aspirações em resultados concretos".

Ela citou objetivos como buscar o desmatamento zero da Amazônia e reflorestar áreas de florestas e pastagens, além de defender a ampliação do financiamento para iniciativas de preservação, "para além de US$ 100 bilhões anuais", referindo-se a um fundo global, mantido pelos países desenvolvidos, contra o aquecimento. E lembrou que isso não será alcançado "sem a redução da pobreza e da desigualdade".

"Nosso desafio é restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas e outros 15 milhões de hectares de pastagens degradadas. Promoveremos também a integração de 5 milhões de hectares na relação lavoura-pecuária e florestas", afirmou a presidenta. "Meu governo traçou metas ambiciosas e ousadas porque sabe que os riscos associados aos efeitos negativos recaem fortemente sobre as populações vulneráveis de nosso país. Essa preocupação deve ser compartilhada por todos nós. Sem a redução da pobreza e da desigualdade, não será possível vencer o combate à mudança do clima. E esse combate tampouco pode ser feito à custa dos que menos têm e menos podem."

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