Manifestações da juventude devem ser incentivadas

Vice-presidente da Contraf-CUT defende apoio aos jovens e às suas ações, como forma de ampliação da atuação social da esquerda no país

Imagem ilustrativa

Cartazes formando a frase “Sem anistia”, colados na janela de um apartamento na avenida beira mar, em Copacabana, serviram como cenário para fotos do discurso de ex-presidente Jair Bolsonaro durante manifestação que pedia a anistia para os participantes dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

O autor da ideia é o estudante de Direito, João Pedro Fagundes, de 18 anos. que, em entrevista concedida nesta segunda-feira (17), à Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), disse que a intenção foi “mandar uma mensagem aos golpistas e seus apoiadores de que o povo brasileiro não esqueceu e não esquecerá da tentativa de usurpar nossa democracia. Esta é uma posição minha e de milhões de brasileiros que não aceitam esquecer a intentona golpista”.

“Com uma coisa muito simples, um jovem de 18 anos conseguiu repercussão nacional e até internacional. Bastou colocar lá os cartazes formando a frase ‘sem anistia’. Criou o cenário perfeito para o fotógrafo, que teve a perspicácia de registrar a imagem”, observou o vice-presidente da Contraf-CUT, Vinícius Assumpção. “Manifestações como a do João Pedro são muito importantes para mostrar que há o contraponto à retórica cheia de mentira, cheia de manipulações dos fatos, que a direita e a extrema-direita impuseram ao país”, completou o dirigente da Contraf-CUT, ao ressaltar o uso das redes sociais, aplicativos mensagens e até cultos e outras manifestações religiosas e sociais para manipular as pessoas.

João Pedro disse ter se surpreendido com a grande repercussão da faixa colocada na janela de seu apartamento. “Mas acho que foi muito positivo ter viralizado essa importante mensagem. E, claro, o talentosíssimo Alexandre Cassiano, merece todos os créditos pela bela imagem”, disse, ao mencionar o fotógrafo que registrou imagem.

Para a secretária de Juventude da Contraf-CUT, Bianca Garbelini, manifestações como essa ajudam a quebrar o mito de que a juventude está alienada e não quer saber de política. “Vemos o contrário, que os jovens vêm se envolvendo cada vez mais no debate político, como já foi demonstrado outras vezes, por exemplo, nas eleições de 2022, quando muitos jovens fizeram questão de tirar seu título de eleitor para ajudar a eleger o Lula”, disse.

Apoio à juventude

Para Vinícius, a esquerda precisa apoiar e incentivar a juventude para ampliar sua influência social. “A juventude é muito criativa! E o que aconteceu no Rio de Janeiro é um exemplo que existe uma grande parcela de jovens contra a anistia e o pensamento conservador que é imposto pela direita e pela extrema-direita”, analisou Vinícius.

O próprio autor da ideia dos cartazes em Copacabana disse já ter visto vários posicionamentos nas redes sociais de pessoas contrárias a anistia. “Infelizmente para os presentes no ato, e felizmente para o povo brasileiro, vivemos numa Democracia. E é importante o posicionamento de todos que a defendem”, disse.

Para o vice-presidente da Contraf-CUT, a juventude consegue perceber facilmente a estratégia da família Bolsonaro, que, segundo ele, não quer resolver a questão das pessoas que foram presas por participarem de atos golpistas e sim aproveitar este fato para proteger o próprio Bolsonaro. “Precisamos dar mais apoio à juventude para vencer essa batalha de retórica contra o conservadorismo”, defendeu.

Novas formas de atuação

“A juventude vai governar nosso país no futuro. Mas eles precisam ser ouvidos e ter espaço de atuação já no presente. Temos que incentivar a juventude, fazer o debate com eles, divulgar as ações que eles desenvolvem”, ressaltou Vinícius Assumpção. “E não tenho a menor dúvida de que a grande maioria dos jovens brasileiros quer um Brasil mais justo, mais solidário e aguerrido”, completou.

A secretária de Juventude da Contraf-CUT também observou que “é importante a gente entender que não necessariamente os modelos tradicionais, como as vias partidárias, contemplam essa juventude.” Bianca ressalta que “precisamos escutar as demandas desses jovens, saber o que eles pensam sobre a política e a forma como eles acham que deveria ser feita a política, para que a gente possa avançar nessa participação e termos entre esses jovens bons governantes e bons sindicalistas no futuro”, concluiu.

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