Lucro contábil da Caixa cresce 15,3% e chega aos R$ 13,5 bi

Resultado de 2024 é fruto do trabalho efetivo das empregadas e empregados do banco

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Matéria atualizada em 26/02/2025, às 16:18

A Caixa Econômica Federal anunciou, na terça-feira (25), um lucro contábil de R$ 13,527 bilhões em 2024, alta de 15,3% em relação ao ano anterior, quando o lucro contábil foi de R$ 11.733 bilhões, e de 38,4% no trimestre. Na análise do resultado recorrente, que desconsidera os resultados de eventos não esperados em exercícios futuros, o lucro (recorrente) da Caixa chegou a R$ 14 bilhões, alta de 31,9% em relação ao ano de 2023. No quarto trimestre de 2024, esse lucro recorrente foi de R$ 4,6 bilhões, alta de 40,4% em comparação ao trimestre imediatamente anterior.

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“Independentemente da forma de divulgação do resultado, o que vemos é que a Caixa vem obtendo bons resultados ano após ano”, observou a empregada da Caixa e secretária de Formação da Contraf-CUT, Eliana Brasil. “Mas, é importante ressaltar que, nos dois últimos anos, esse resultado não foi inflado pela venda de ativos. É fruto do trabalho efetivo do banco e, obviamente, de suas empregadas e seus empregados, que precisam ter seus esforços reconhecidos”, completou.

Segundo relatório financeiro do banco, o resultado foi influenciado, principalmente, pelo crescimento nas receitas com prestação de serviços (+7,77%) e redução na provisão para perdas associadas ao risco de crédito (-8,67%).

Carteira de crédito

Para o também diretor da Contraf-CUT e coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Rafael de Castro, o resultado poderia ser ainda melhor. “O banco precisa ter capital para poder investir naquilo que é seu carro chefe, que é o crédito imobiliário. Mas, com os juros altos, o investimento em poupança cai. Os recursos do FGTS também estão em queda. Com isso, o banco não tem de onde tirar o funding para a concessão do crédito”, lamentou o dirigente. “Por isso, a gente ressalta que o resultado da Caixa é fruto do trabalho dos meus colegas de banco, que dão um duro danado, enfrentam a sobrecarga de trabalho, a pressão pelo cumprimento de metas, problemas nos sistemas e conseguem se superar”, disse Rafael.

Mesmo com os problemas de falta de recursos para a concessão de crédito, a carteira de Crédito Ampliada da Caixa teve alta de 10,4% em comparação a 2023, totalizando R$ 1,2 trilhão. Quando comparada ao terceiro trimestre do mesmo ano, esse aumento foi de 2,2%.
O banco informou, ainda que o resultado positivo da carteira de crédito é decorrente do crescimento no crédito imobiliário (+13,5%), que representa 67,3% do total de financiamento do país, agronegócio (+11,4%), 9% em saneamento e infraestrutura e 3,2% em crédito de pessoa jurídica.

Além disso, a taxa de inadimplência para atrasos superiores a 90 dias foi de 1,97%, redução de 0,19 ponto percentual (p.p.) ao longo de 12 meses, e de 0,30 p.p. em relação ao terceiro trimestre de 2024.

Para Rafael, no entanto, o banco precisa “ocupar espaço” na oferta de crédito pessoal nas carteiras PF, PJ e de micro e pequenas empresas. “São nossos nichos, e temos perdido espaço principalmente para fintechs, que cobram taxas três ou quatro vezes mais do que cobraríamos”, observou o dirigente da Contraf-CUT.

O dirigente da Contraf-CUT avalia, ainda que “perder espaço nestes nichos é ruim para o banco, ruim para o país, ruim para os clientes... só é bom para o ‘mercado financeiro’, que cobra juros abusivos. Mas, com os problemas de funding da Caixa e de outros bancos públicos, essas opções com taxas mais altas acabam sendo as únicas alternativas das pessoas e das empresas”, criticou, acrescentando que a Caixa foi criada para fomentar a economia, com atuação nacional e regional, e ser agente de políticas públicas.

“A Caixa precisa ser forte, para poder colocar a economia para girar. Isso traz novos clientes, lucro para o banco e desenvolvimento econômico e social para o país. Temos que ter em mente que a Caixa é o banco do povo brasileiro”, ressaltou o coordenador da CEE.

Menos empregados e agências, mais clientes e sobrecarga

A Caixa chegou ao final de 2024 com 83.307 em seu quadro de pessoal, o que representa uma redução de 3.655 postos de trabalho em 12 meses, devido ao plano de demissão voluntária anunciado em fevereiro de 2024.

No mesmo período, houve aumento de 1,2 milhão de novos clientes, totalizando 153 milhões. O banco conta com 3.258 agências e, em 12 meses, foram fechadas 113 unidades do banco e outras 159 unidades lotéricas e 204 unidades de correspondentes Caixa Aqui.

Veja abaixo a tabela de resumo do balanço ou, se preferir, leia a íntegra da análise do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

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