GT de Promoção por Mérito: Definição antecipada de critérios triplica número de empregados que recebeu segundo Delta
Movimento Sindical, Caixa
Representantes das empregadas e empregados da Caixa reforçam necessidade de critérios transparentes, solução de pendências e reconhecimento efetivo do desempenho dos trabalhadores, e cobram pagamento do primeiro delta em janeiro
Principais pontos da reunião
• Representação dos trabalhadores cobra pagamento do primeiro delta em janeiro;
• Entidades defendem critérios justos e sem entraves burocráticos;
• Debate aborda problemas com comprovação de vacinação e acesso a sistemas;
• Critério de desempate e participação de dirigentes sindicais também entram na pauta;
• Número de empregados contemplados com dois deltas cresce e é apontado como avanço.
Leia a íntegra do texto
Representantes das empregadas e dos empregados da Caixa e da direção do banco se reuniram na segunda-feira (30), por videoconferência, para mais uma rodada de discussões do Grupo de Trabalho (GT) de Promoção por Mérito. O encontro teve como objetivo avaliar o processo referente ao ano-base 2025 e discutir ajustes necessários para o próximo ciclo, buscando garantir critérios justos e maior efetividade no reconhecimento das trabalhadoras e dos trabalhadores.
Um dos principais pontos levantados pelas entidades sindicais foi a necessidade de assegurar que o pagamento do primeiro delta ocorra em janeiro do ano seguinte ao período avaliado. Na avaliação da representação dos empregados, o atraso no pagamento – realizado apenas em março por ter sido vinculado ao programa RESULTADO.CAIXA – acabou postergando um aumento salarial que já era devido aos trabalhadores contemplados.
O coordenador da representação das empregadas e empregados no GT, João Paulo Pierozan, destacou que garantir previsibilidade e respeito aos prazos é essencial para a credibilidade do processo. “É fundamental que os critérios sejam respeitados, mas também que o reconhecimento venha no tempo certo. O pagamento do primeiro delta em janeiro precisa ser um compromisso do banco, para que o trabalhador não tenha seu avanço salarial adiado”, afirmou.
Critérios e pendências
Durante a reunião, as entidades também apontaram a necessidade de eliminar obstáculos burocráticos que acabam prejudicando empregados que cumprem os requisitos, mas enfrentam dificuldades operacionais para comprovar determinadas exigências.
Entre os problemas relatados estão falhas ou atrasos na atualização de dados no aplicativo Conecta SUS, utilizado para comprovação de vacinação. A representação dos trabalhadores defendeu que a Caixa aceite outros comprovantes, inclusive em meio físico, com possibilidade de validação pelo sistema Sou Caixa.
Para a representante da Fetrafi/NE, Cândida Fernandes (Chay), é preciso evitar que questões administrativas impeçam o reconhecimento de quem cumpriu os critérios. “Não podemos aceitar que trabalhadores deixem de receber a promoção por mérito por problemas que não dependem deles, como falhas de sistema ou dificuldades de atualização de dados. É preciso garantir alternativas para comprovação e evitar injustiças”, afirmou.
Outro tema debatido foi a situação de dirigentes sindicais liberados, que muitas vezes enfrentam dificuldades de acesso aos sistemas internos do banco necessários para cumprir determinados requisitos do programa.
Critérios de desempate e justiça no processo
Os representantes dos trabalhadores também questionaram critérios de desempate utilizados no processo, especialmente quando há referência à idade do empregado. A posição defendida pelas entidades é de que, nesses casos, o tempo de trabalho na Caixa seja priorizado.
A representante da Fetec-CUT/SP, Luiza Hansen, ressaltou que o processo precisa manter coerência e transparência em todas as etapas. “O primeiro delta, por exemplo, não tinha nada que impedisse seu pagamento já em janeiro. Esse é um ponto central para o debate deste GT, porque precisamos garantir regras claras e que realmente valorizem o esforço das empregadas e dos empregados”, disse.
Avanço na concessão do segundo delta
Entre os aspectos positivos apresentados durante a reunião está o aumento significativo no número de trabalhadores contemplados com o segundo delta da promoção por mérito.
Dados debatidos no GT indicam que o número de empregados que receberam dois deltas passou de 10.290, em 2022/2021 (último ano que a Caixa havia efetuado o pagamento do segundo delta) para 32.413 trabalhadores neste ano (2026/2025), resultado que as entidades atribuem à pressão e ao diálogo mantido pela representação sindical nas negociações.
Para o representante da Fetrafi-MG, Nerival Faustino Gomes (Nery), o crescimento no número de contemplados demonstra que a atuação coletiva pode gerar avanços concretos. “Esse aumento no número de trabalhadores que receberam dois deltas mostra que a mobilização e o debate no GT têm resultado. Ampliar o reconhecimento do mérito é uma conquista importante para a categoria”, afirmou.
"Historicamente, cerca de 60 mil empregados conquistam o primeiro delta, mas apenas 10 mil conseguiam se habilitar ao segundo. Isto porque, nos últimos anos, a Caixa postergava as negociações até dezembro, inviabilizando o cumprimento retroativo dos critérios, na prática, eliminando, a possibilidade de um segundo delta. Desta vez, com critérios construídos e debatidos pelo próprio movimento sindical, houve uma virada histórica: triplicamos o número de empregados contemplados com o segundo delta, saltando de 10 mil para 30 mil habilitados. Uma conquista que reforça a importância da negociação coletiva e da participação ativa das entidades representativas”, reforçou a representante da Federação das Trabalhadores e dos Trabalhadores do Ramo Financeiro do Estado do Rio de Janeiro (Federa-RJ), Sonia Eymard.
Próximos passos
O GT de Promoção por Mérito seguirá discutindo os critérios para o ciclo referente ao ano-base 2026. Entre os pontos em debate estão a definição de regras mais acessíveis, a eliminação de entraves burocráticos e a garantia de pagamento das promoções dentro do prazo adequado.
“Vamos continuar acompanhando o processo e cobrando da Caixa medidas que assegurem justiça, transparência e valorização das empregadas e dos empregados no programa de promoção por mérito”, concluiu o representante da Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários (Feeb) de São Paulo e Mato Grosso do Sul, Tesifon Quevedo Neto.
A próxima reunião do GT ainda não foi marcada.
