ENTREVISTA: Campanha dos bancários terá jornada de luta

(São Paulo) Veja abaixo entrevista do presidente da Contraf-CUT, Vagner Freitas, sobre a mobilização que ocorrerá nas próximas semanas dentro da Campanha Nacional dos Bancários

Como será a Campanha Nacional neste ano?
Vagner Freitas –
A Contraf está elaborando pauta e agenda de mobilização dos trabalhadores do ramo financeiro, além de diálogo com diversos setores da sociedade, para explicitar a realidade do mundo do trabalho dos bancários e um certo desvirtuamento das atividades típicas dos bancos que, de uma maneira ou de outra, afeta o conjunto da população. Principalmente aqueles segmentos que demandam os serviços do sistema financeiro. Nessa perspectiva, a Contraf-CUT propõe que todos sindicatos façam atividades dentro das semanas temáticase uma Jornada de Luta da categoria bancária no decorrer da Campanha Nacional.

O que será discutido nessas semanas temáticas?
Vagner –
A idéia subjacente a essas semanas são os eixos da Campanha Nacional, definidos na 9ª Conferência dos Trabalhadores do Ramo Financeiro. Serão três semanas e mais a Jornada Nacional de Luta dos Bancários. A primeira semana cujo eixo é Saúde e Condições de Trabalho terá a temática: o respeito à jornada de trabalho implica a ampliação das contratações; a problemática do assédio moral e da violência organizacional, cuja perversidade se expressa nas metas abusivas que tanto adoecem dos trabalhadores, comprometendo inclusive sua auto-estima. A segunda tem como eixo a Garantia de Emprego e ampliação da renda, cuja temática envolve: a garantia de emprego, a isonomia, o respeito à Convenção 158, da OIT; ampliação da representação e contração dos trabalhadores do Ramo Financeiro, a elevação do valor dos pisos de funções, a PLR e a contratação da remuneração variável. A terceira trata da ampliação da agenda dos trabalhadores do Ramo Financeiro em diálogo com os demais trabalhadores e setores da sociedade. Envolve o debate sobre o sistema financeiro nacional. Hoje as atividades financeiras são “desregulamentadas”. Diante da realidade do sistema, é fundamental sua regulamentação. Sem o que a sociedade brasileira continuará refém do poderio econômico e político dos banqueiros. Debater a regulamentação é discutir a concessão pública das atividades bancárias, a função dos bancos públicos – de controle estatal, as escorchantes tarifas cobradas pelos bancos pelos serviços prestados, a precariedade do atendimento bancário – visível nas filas! E também a atribuição do setor bancário quanto ao crédito para as atividades econômicas. Outra questão importante relativa do setor são as aquisições/fusões que tendem à concentração. Ampliando desta maneira o grau de monopólio. Assim, torna-se imperioso estabelecer mecanismos de controle social do sistema. Por exemplo, a ampliação do Conselho Monetário Nacional. A propósito a CUT já tem uma proposta quanto à ampliação do CMN.

Qual a relação entre regulamentação do Sistema Financeiro e a política monetária executada pelo Banco Central?
Vagner –
A “desregulamentação” acaba possibilitando um “poder maior” ao Banco Central que, às vezes, contraria até o discurso do presidente Lula. O fato é que o Banco Central atua mais como “banqueiro” dos banqueiros do que como Autoridade Monetária, ou seja, o que vemos é Banco Central mais a serviços dos interesses dos banqueiros do que dos interesses maiores da sociedade brasileira. Observe-se a quase inoperância quanto à fiscalização das empresas do SFN.
Sem dúvida são necessárias mudanças na política monetária. Suprimir seu caráter rentista. Deve ser concebida como instrumento indutor das atividades econômicas produtivas e não dar margem às especulativas.

E a Jornada Nacional?
Vagner –
A expectativa é que as semanas temáticas propiciem o acúmulo para a Jornada Nacional de Lutas dos bancários.

Qual o papel dos sindicatos na organização dessas semanas temáticas e da Jornada de Lutas?
Vagner –
O papel dos sindicatos é essencial e insubstituível. São eles que interagem com os trabalhadores. Sem dúvida o êxito da Campanha é conseqüência da organização e mobilização dos sindicatos.

A Contraf pretende buscar a interlocução com outras categorias e entidades representativas da sociedade? Por exemplo, dialogar com Idec, Procon, Contag e outras entidades? Os bancos são um assunto de toda a sociedade?
Vagner –
A perspectiva das lutas do movimento sindical bancário não se restringe aos interesses stricto sensu, não é corporativa; abrange também, de certa maneira, os interesses da maioria da sociedade. Principalmente aqueles setores que demandam serviços financeiros.

Qual o papel que o governo federal tem desempenhado em relação aos bancos e qual ele deveria desempenhar?
Vagner –
Parece-nos que o papel do Governo Federal se expressa na atuação do Banco Central. Todavia entendemos como urgente que toda a política econômica e não somente a política monetária seja (re)formulada e executada na perspectiva do crescimento econômico com distribuição de renda. Sem o que o País não superará seus graves problemas sociais. O conservadorismo da política econômica cerceia as oportunidades históricas que o Brasil vislumbra. O presidente foi eleito para mudar os rumos da história do povo brasileiro. Essa foi e continua a ser a expectativa, para dizer, esperança do povo brasileiro que o elegeu. Assim é preciso reduzir o poderio econômico e político dos banqueiros.

Fonte: Contraf-CUT

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