Em palestra em Teresina, Leonardo Boff afirma “nascemos para brilhar”

“Temos que ter a indignação para mudar o que está aí. Alimentar sonhos e utopias que nos fazem ver outro mundo possível”, essa foi a mensagem deixada pelo teólogo da Libertação, escritor, professor e conferencista Leonardo Boff, em palestra realizada na Central de Artesanato Mestre Dezinho, no Centro de Teresina, na quinta-feira (04). Para um auditório lotado, Leonardo Boff falou sobre conjuntura política, sociedade, direitos humanos, ecologia e de um Brasil em crise. Fez duras críticas ao governo Bolsonaro e ao clima de exploração do povo e dos recursos naturais.

Além de consumir, temos que formar cidadão críticos, afirmou Boff, ressaltando que o atual governo não tem um projeto de país. “O governo atual tem um projeto de entregar os bens públicos e bens naturais. Estão de olho nas fontes de água potável. O projeto era tirar o PT e agora é tomar a Previdência. Querem passar a aposentadoria para os bancos com a capitalização. Temos hoje um Estado militarizado e assim ele [Bolsonaro] se dispensa de dialogar com o Congresso. Ele diz que o país é um abacaxi, porque ele não entende nada”, afirmou.

Leonardo Boff lembrou que o governo tem um diplomata que diz que a terra é quadrada, uma ministra doutorada em bíblia, um ministro da educação que mal fala o português. E afirmou a importância das Frentes populares na defesa do país. “Estamos num voo cego, sem direção. Não sabemos para onde vamos, esse é o grande impasse. Por isso a importância das Frentes populares, dos movimentos sociais. Nossa luta era por uma democracia participativa, agora nem se fala mais nisso”, disse.

Por outro lado, Leonardo Boff comentou que o memento de crise é também uma oportunidade de nos transformarmos enquanto cidadãos e nação. “A crise não precisa ser em vão, acredito que vamos superá-la e saímos melhores. A crise nos obriga a mudar e encontrar soluções. Acho que agora é a hora do Brasil”, afirmou.

O poder vem do povo
Leonardo Boff deu uma aula de humanidade e resistência popular e democrática, reafirmando a importância da luta por direitos humanos. “Temos que formar uma grande frente social e popular democrática, com partidos progressistas em defesa dos direitos humanos. Estamos num período pós-democracia. O projeto é nos reduzir a uma nova colônia”, afirmou.

Boff ressaltou ainda a força do povo na luta por justiça social. “Com a força que vem debaixo vamos fazer uma nova revolução e resgatar nossos sonhos. Não vamos desistir, não vamos largar as mãos uns dos outros, não vamos nos entregar à imbecilidade. Nós nascemos para brilhar e vamos brilhar. Não podemos esperar nada de cima, a Justiça está corrompida. O poder vem debaixo, o poder vem do povo. Temos que nos mobilizar e irmos para as ruas”, conclamou.

Constantemente em meio à plateia ecoava um “Lula Livre!”, hoje um símbolo de injustiça e perseguição política. Leonardo Boff também ressaltou a força e resistência do ex-presidente, que irá completar um ano preso na Polícia Federal, em Curitiba (PR). “Pensavam que o Lula ia se suicidar. Eles não conhecem o espirito do nordestino. A alma do nordestino é mais forte”, disse.

O palestrante ressaltou ainda o ataque aos direitos trabalhistas. “Com a reforma trabalhista destruíram os direitos dos trabalhadores e temos que resgatar isso”. E destacou a força da cultura plural do Brasil. “60 nações diferentes vieram para o Brasil. Essa é nossa realidade, um povo extremamente criativo. A cultura, o povo e a natureza fazem a força do Brasil”, afirmou.

A palestra foi promovida pela Frente Brasil Popular e reuniu diversas entidades sociais e movimentos populares. O Sindicato dos Bancários do Piauí esteve presente representado pelo vice-presidente, Odaly Medeiros, que afirmou se esse um momento histórico.

“Sua palestra é uma aula de conjuntura política, humana e ecológica. Uma pessoa forte na caminhada por esperança para o povo brasileiro, embora tenha feito um diagnóstico da conjuntura política nacional e internacional que nos deixa muito preocupado com a questão da Amazônia e da base de Alcântara, no Maranhão, que é hoje uma base militar dos Estados Unidos. Estamos nos organizando como trabalhadores, como sociedade em defesa dos direitos do povo brasileiro. Sempre fomos explorados, e agora, além da natureza, exploram seus habitantes. Mas foi um momento muito bom, um momento histórico. Trouxe ânimo e revitalização para o movimento sindical e social. Leonardo Boff deixa uma lição que fica na memória”.

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