Contraf-CUT repudia articulação para entregar participação do Banco do Brasil a banco dos EUA
Banco do Brasil
Reportagem aponta que aliados de Flávio Bolsonaro articulam possível entrada do Bank of America no BB; entidade afirma que não aceitará iniciativas que ameacem o caráter público e a soberania nacional
A possibilidade de participação do banco norte-americano Bank of America no capital do Banco do Brasil (BB), atribuída a aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) em reportagem publicada pelo Relatório Reservado nesta quinta-feira (22), acende um alerta sobre o futuro de uma das instituições financeiras mais importantes do país.
Segundo a publicação, Eduardo Bolsonaro estaria mantendo conversas com interlocutores do governo dos Estados Unidos sobre uma possível operação que permitiria ao Bank of America adquirir uma participação relevante no BB, com influência sobre decisões estratégicas e a administração da instituição. A proposta poderia avançar sem que a União necessariamente perdesse o controle acionário do banco.
Para a Contraf-CUT, qualquer iniciativa nessa direção representa uma ameaça que precisa ser enfrentada desde já. O Banco do Brasil pertence aos brasileiros e deve continuar a serviço dos interesses nacionais, e não ser transformado em instrumento de interesses privados estrangeiros.
“Não vamos aceitar que o Banco do Brasil seja entregue, ainda que parcialmente, a interesses estrangeiros. O BB é dos brasileiros e tem que continuar sendo um instrumento de desenvolvimento do nosso país. Não podemos admitir que uma instituição com mais de dois séculos de história, fundamental para o financiamento da agricultura, das empresas e da economia brasileira, seja usada como moeda de troca em articulações políticas internacionais. O patrimônio público não está à venda e vamos lutar para impedir qualquer iniciativa que coloque em risco o caráter público do banco”, afirma Fernanda.
Uma ameaça à soberania nacional
De acordo com o Relatório Reservado, a possível associação permitiria ao Bank of America participar da estrutura societária do BB e exercer influência sobre suas decisões, inclusive por meio de assentos no conselho de administração. A reportagem afirma que as conversas ainda estariam em fase de articulação e que existem obstáculos societários a serem superados. Até o momento, não há confirmação de um acordo fechado.
A eventual operação também teria uma dimensão geopolítica. Segundo a publicação, a aproximação entre as instituições seria vista por aliados de Flávio Bolsonaro como uma forma de estreitar relações econômicas com os Estados Unidos.
Para a Contraf-CUT, a possibilidade de ampliar a influência de um banco estrangeiro sobre uma instituição estratégica brasileira não pode ser tratada apenas como uma operação financeira. O Banco do Brasil exerce papel fundamental no financiamento da produção, no apoio à agricultura familiar e empresarial, na oferta de crédito e no desenvolvimento de diferentes regiões do país. “É inaceitável que o futuro de um banco público brasileiro seja colocado na mesa para atender a interesses políticos e econômicos de outro país. O Banco do Brasil tem uma função social que vai muito além do lucro. É uma instituição que precisa estar comprometida com o desenvolvimento do Brasil, com a geração de empregos e renda e com as necessidades da população. O BB é do povo brasileiro, e não aceitaremos qualquer tentativa de abrir caminho para sua desnacionalização”, reforça Fernanda.
Histórico de propostas de associação com banco norte-americano
A reportagem relembra que a possibilidade de associação entre o Banco do Brasil e o Bank of America já havia sido levantada por Paulo Guedes, ministro da Economia durante o governo Jair Bolsonaro. Em 2018 e 2019, Guedes mencionou a hipótese de uma fusão ou associação entre as duas instituições.
O texto também cita Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, que teria admitido, em setembro, a possibilidade de privatização do Banco do Brasil durante um evento empresarial.
Segundo o Relatório Reservado, uma associação com o banco norte-americano seria considerada por integrantes da equipe econômica de Flávio Bolsonaro uma alternativa à privatização integral, pois permitiria a entrada de capital privado estrangeiro sem necessariamente retirar da União o controle acionário.
Atualmente, a União detém 50% mais uma ação do Banco do Brasil, o que lhe assegura o controle da instituição. Uma eventual operação precisaria considerar a estrutura societária do banco e as regras aplicáveis à manutenção desse controle.
Defesa dos bancos públicos
A Contraf-CUT reafirma a importância de preservar o caráter público do Banco do Brasil e das demais instituições financeiras estatais. Esses bancos são fundamentais para garantir crédito, financiar atividades produtivas, apoiar políticas públicas e contribuir para o desenvolvimento econômico e social.
A entidade defende que decisões sobre o patrimônio público sejam transparentes e submetidas ao debate com a sociedade, sem articulações que comprometam a autonomia do país e os interesses da população.
O Banco do Brasil é patrimônio do povo brasileiro. Qualquer tentativa de entregar parte de sua estrutura estratégica a interesses estrangeiros encontrará a resistência do movimento sindical bancário, que seguirá mobilizado em defesa dos bancos públicos, dos trabalhadores e da soberania nacional.
