Consulta Nacional dos Bancários 2026 mostra força da categoria e aponta prioridades para a Campanha Nacional
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Levantamento com quase 55 mil respostas reforça centralidade de aumento real, PLR, emprego, saúde, combate às metas abusivas e proteção diante das mudanças tecnológicas
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- Consulta Nacional dos Bancários 2026 recebeu 54.952 respostas em todo o Brasil
- Número representa crescimento de 64% em relação a 2025 e de 17% em comparação com 2024
- Aumento real de salário foi apontado por 93% dos respondentes como prioridade econômica
- Manutenção de direitos, emprego, plano de saúde e combate ao assédio moral lideram as prioridades sociais
- Saúde mental aparece como alerta central: 72,6% dizem que o ambiente de trabalho nos bancos impacta negativamente a saúde mental
- Para 92,9%, o financiamento da luta sindical deve ser responsabilidade de todos os bancários, já que todos se beneficiam das conquistas
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A Consulta Nacional dos Bancários 2026 confirmou a disposição da categoria em participar da construção da pauta de reivindicações da Campanha Nacional. O levantamento, realizado entre 17 de abril e 31 de maio, recebeu 54.952 respostas em todo o país e foi apresentado na segunda mesa de debates da 28ª Conferência Nacional dos Bancários, neste sábado (20), pela economista Vivian Machado, técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A mesa de debates foi coordenada pela recém-eleita presidenta do Sintraf-AP, Bruna Athayde, que tambpem contou com a participação de Reginaldo Breda, da Feeb/SP-MS, Adriana Nalesso, da Federa-RJ e Gheorge Vitti, do Sindicato dos Bancários do ABC.
O resultado representa um crescimento expressivo da participação da categoria. Em comparação com 2025, quando foram registradas 33.482 respostas, o aumento foi de 64%. Em relação a 2024, quando a consulta recebeu 46.824 participações, a alta foi de 17%.
Para Vivian Machado, os números demonstram que a consulta se consolidou como instrumento estratégico da Campanha Nacional dos Bancários.
“A participação de quase 55 mil bancários e bancárias mostra que a categoria compreende a importância de dizer diretamente quais são suas prioridades. A consulta dá base concreta para a construção da pauta, fortalece a representação sindical e permite que a negociação coletiva parta da realidade vivida nos locais de trabalho”, afirmou a economista.
Segundo os dados apresentados, 66% dos respondentes trabalham em agências e 32% em departamentos. Por banco, a maior participação veio do Banco do Brasil, com 24,3% das respostas, seguido por Caixa Econômica Federal, com 21,4%; Itaú-Unibanco, com 18,4%; Bradesco, com 16,3%; Santander, com 6,7%; Banrisul, com 2,8%; Banco do Nordeste, com 1,6%; e outros bancos, com 8,6%.
Aumento real lidera prioridades econômicas
Entre as cláusulas econômicas, a principal prioridade apontada pela categoria foi o aumento real de salário, indicado por 93% dos respondentes. Em seguida aparecem aumento da PLR, com 63%; aumento maior para o vale-alimentação e o vale-refeição, com 51%; aumento do piso da categoria, com 31%; Plano de Cargos e Salários, com 25%; igualdade salarial, com 10%; aumento da ajuda de custo para home office, com 3%; e aumento do auxílio combustível, com 2%.
A pesquisa permitiu também identificar diferenças por banco. O aumento real aparece como prioridade amplamente majoritária em todas as instituições pesquisadas, chegando a 96% entre empregados do Banco do Brasil e da Caixa. A PLR tem destaque maior nos bancos privados, com 72% no Itaú-Unibanco, 70% no Bradesco e 70% no Santander, além de 68% na Caixa.
“Os resultados mostram que a categoria quer recuperar e ampliar poder de compra, mas também quer valorização do trabalho por meio da PLR, dos vales e de políticas de carreira. A pauta econômica não pode ser tratada apenas como reajuste. Ela envolve renda, reconhecimento, participação nos resultados e combate às desigualdades”, avaliou Vivian.
Direitos, emprego e saúde estão no centro da pauta social
Nas cláusulas sociais, a manutenção de direitos aparece como a principal prioridade, citada por 65% dos respondentes. Emprego foi indicado por 45%; plano de saúde, por 39%; combate ao assédio moral, por 35%; jornada de quatro dias semanais, por 30%; igualdade de oportunidades, por 24%; previdência complementar, por 19%; e impacto das inovações tecnológicas, por 17%.
A análise por banco mostra diferenças importantes. Entre os empregados da Caixa, o plano de saúde aparece como prioridade para 71% dos respondentes, resultado que evidencia a centralidade do Saúde Caixa para a categoria. No Banco do Brasil, a manutenção de direitos foi apontada por 77%. Já nos bancos privados, o emprego tem peso maior, com 58% no Bradesco, 53% no Itaú-Unibanco e 58% no Santander.
Para Vivian Machado, os dados revelam uma pauta social fortemente conectada com as condições concretas de trabalho.
“A categoria está dizendo que quer manter direitos, proteger empregos e garantir saúde. Isso tem relação direta com o avanço da digitalização, com a pressão por resultados, com a redução de postos de trabalho e com o aumento do adoecimento. A Campanha Nacional precisa responder a esse conjunto de preocupações”, destacou.
Tecnologia precisa vir acompanhada de proteção ao emprego e valorização
A consulta também perguntou quais deveriam ser os temas prioritários para a negociação coletiva diante dos avanços tecnológicos no setor bancário. A garantia de emprego foi indicada por 72% dos respondentes. Em seguida aparecem aumento de remuneração como forma de repartir os ganhos oriundos da inovação tecnológica, com 51%; qualificação e requalificação profissional, com 45%; garantia de revisão humana em decisões de gestão do trabalho tomadas com base em dados obtidos por meio de IA, como contratações, punições, desligamentos e avaliações, com 41%; redução da jornada de trabalho, com 26%; e limitação de tecnologias de monitoramento excessivo no trabalho, com garantia de privacidade, com 24%.
Para a economista do Dieese, o resultado evidencia que a categoria não rejeita a tecnologia, mas exige que os ganhos de produtividade sejam distribuídos e que a inovação não seja usada para intensificar o trabalho ou eliminar direitos.
“A inovação tecnológica não pode ser apropriada apenas pelos bancos na forma de redução de custos e aumento de lucros. A categoria reivindica proteção ao emprego, qualificação, remuneração, revisão humana das decisões e limites ao monitoramento. Esse é um ponto fundamental da negociação coletiva no setor financeiro”, afirmou Vivian.
Metas abusivas e saúde mental acendem alerta
Um dos pontos mais preocupantes da consulta está relacionado aos impactos da cobrança excessiva pelo cumprimento de metas. A preocupação constante com o trabalho foi apontada por 67% dos respondentes. Cansaço e fadiga constante aparecem com 59%; desmotivação e vontade de não ir trabalhar, com 47%; crises de ansiedade ou pânico, com 42%; dificuldade em dormir, mesmo aos finais de semana, com 39%; medo de “estourar” ou perder a cabeça, com 24%; crises constantes de dor de cabeça, dores de estômago ou gastrite nervosa e dor ou formigamento nos ombros, braços ou mãos, com 21% cada.
A consulta também revelou que 40% dos respondentes usaram medicamentos controlados, como antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes, nos últimos 12 meses. Além disso, 72,6% afirmaram que o ambiente de trabalho no banco em que atuam traz impactos negativos para a saúde mental dos trabalhadores e trabalhadoras. Apenas 14,3% disseram que não há impactos negativos e 12,6% responderam que não sabem.
Vivian Machado ressaltou que os dados reforçam a necessidade de tratar saúde mental, metas abusivas e organização do trabalho como temas centrais da Campanha Nacional.
“Quando 72,6% da categoria aponta impacto negativo do ambiente bancário sobre a saúde mental, não estamos diante de casos isolados. Estamos diante de um problema estrutural de gestão, metas, pressão e intensificação do trabalho. A negociação coletiva precisa enfrentar esse modelo que adoece”, disse.
Segundo a economista, a leitura dos dados por banco mostra que o problema é generalizado no setor. No Banco do Brasil, 81% dos respondentes afirmaram que o ambiente de trabalho impacta negativamente a saúde mental. Na Caixa, o índice foi de 76%. No Bradesco, 71%. No Itaú-Unibanco e no Santander, 69%.
Home office cresce, mas ainda exige regulação
A consulta também identificou mudanças na organização do trabalho. Embora 65,6% dos respondentes tenham informado que não realizam nenhum dia de home office, 20,3% disseram trabalhar remotamente três ou mais dias por semana. Em 2025, esse percentual era de 14,9%.
Para Vivian Machado, o crescimento do home office reforça a necessidade de regras coletivas mais robustas sobre jornada, condições de trabalho, custos, direito à desconexão e proteção à saúde.
“O teletrabalho se tornou parte da realidade bancária, mas não pode ser tratado como favor ou solução individual. É preciso garantir estrutura adequada, controle de jornada, ajuda de custo, proteção contra sobrecarga e respeito ao direito à desconexão”, observou.
Consulta reforça importância da organização sindical
Outro dado relevante da pesquisa é a percepção da categoria sobre o financiamento da luta sindical. Para 92,9% dos respondentes, o financiamento da luta para manutenção e conquista de direitos deve ser responsabilidade de todos os bancários, pois todos se beneficiam das conquistas. Apenas 6,1% responderam que essa responsabilidade deve ser apenas dos sócios do sindicato, mesmo que todos sejam beneficiados.
A associação ao sindicato também aparece de forma expressiva: 64% dos respondentes informaram ser sindicalizados. Outros 30% disseram que não são associados e 6% não informaram.
Para Vivian Machado, o resultado mostra que a categoria reconhece o papel da negociação coletiva na garantia de direitos históricos, como reajuste salarial, PLR, vales, jornada, planos de saúde, cláusulas de proteção social e mecanismos de combate ao assédio e à discriminação.
“Os dados mostram que a categoria identifica que os direitos não surgem espontaneamente. Eles são fruto de organização, negociação e mobilização. Quando a maioria afirma que o financiamento da luta deve ser responsabilidade de todos, há um reconhecimento político importante: as conquistas coletivas precisam de sustentação coletiva”, afirmou.
Dados vão subsidiar a pauta da Campanha Nacional 2026
A Contraf-CUT destaca que os resultados da Consulta Nacional serão fundamentais para a elaboração da minuta de reivindicações da categoria e para orientar as negociações da Campanha Nacional dos Bancários 2026.
A presidenta da Contraf-CUT e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira, tem reforçado que a força da campanha depende da participação da categoria, desde a consulta até os debates nas bases, conferências e mobilizações nos locais de trabalho.
A partir dos dados apresentados pelo Dieese, a avaliação é que a categoria chega à Campanha Nacional com uma pauta ampla, que combina valorização econômica, manutenção de direitos, defesa do emprego, enfrentamento às metas abusivas, proteção à saúde mental, regulação das tecnologias, combate ao assédio e fortalecimento da negociação coletiva.
“Uma consulta dessa dimensão não apenas mede opinião. Ela organiza prioridades, revela problemas e aponta caminhos para a ação sindical. A Campanha Nacional ganha força quando a pauta nasce da escuta direta dos bancários e bancárias”, concluiu Vivian Machado.
A 28ª Conferência Nacional dos Bancários segue até domingo (21). Na próxima mesa, o doutor em Economia Social e do Trabalho e mestre em História Econômica pela Unicamp, Gustavo Cavarzan, e mestre em Economia Política pela PUC-SP, Rosângela Vieira, ambos do Dieese, traçarão a conjuntura do Sistema Financeiro Nacional e do emprego no ramo financeiro.
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