Bancários cruzam os braços em São Paulo contra desrespeito dos bancos

Primeiro dia de greve fecha centros administrativos e agências em São Paulo

Agora é greve! E a culpa é dos banqueiros, que lucraram R$ 36,3 bilhões só no primeiro semestre deste ano, mas propuseram aos bancários apenas 5,5% de reajuste para salários, PLR, vales e auxílios, que nem chega perto de cobrir a inflação de 9,88% no período (INPC) e representa perda de 4% para a categoria. E sem retorno para outras reivindicações como a manutenção dos empregos e melhoria das condições de trabalho.

Para deixar claro que Exploração não tem Perdão, tema da Campanha Nacional Unificada 2015, trabalhadores de São Paulo, Osasco e região paralisaram suas atividades nesta terça-feira 6, primeiro dia de greve nacional, no GPSA do Itaú, na Lins de Vasconcelos; Casa I e III do Santander; Bradesco Nova Central; Bradesco Prime na Avenida Paulista; Núcleo Alphaville do Bradesco; Centro Administrativo Raposo do Itaú; e também o prédio do Itaú da Rua Fábia, historicamente utilizado para a tentativa de contingenciamento, e outro na Rua Teodoro Sampaio utilizado para o mesmo fim.

Agências na região central, Avenida Brigadeiro Faria Lima e Avenida Paulista e região foram outros locais que pararam. O movimento deve crescer para outras regiões ao longo dos dias.

A greve é por tempo indeterminado com o objetivo de arrancar uma proposta digna da federação dos bancos.

A presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira, uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários – que negocia com a federação dos bancos -, estava nas ruas do centro de São Paulo, logo pela manhã. “Esta é a pior proposta dos últimos anos vinda de um setor que está lucrando tanto”, critica a dirigente. “Enquanto são tão gananciosos com os bancários, são extremamente generosos com os executivos dos bancos, para os quais há bancos que preveem aumento de até 81% nos supersalários de seus diretores. Ou seja, os bancários têm mais é que fazer greve mesmo e muito forte como resposta a todo esse desrespeito.”

Contingenciamento, não!
Ao invés de se negociar para apresentar proposta decente aos bancários, mais uma vez os bancos estão se organizando para desrespeitar o direito de greve dos trabalhadores. Santander, Itaú e Banco do Brasil já estão colocando em prática os contingenciamentos, contrários à lei e até à Constituição Federal. Evidenciado pela transferência de departamentos inteiros ou agências para outros prédios, também é caracterizado por obrigar o funcionário a começar a jornada ainda de madrugada ou a trabalhar de casa.

O objetivo dos bancos com essas determinações é enfraquecer a greve burlando a presença de dirigentes sindicais ou outros grevistas em frente aos locais de trabalho – estratégia utilizada pelo movimento para orientar os trabalhadores de forma que possam participar da paralisação livres da coação dos gestores.

A greve é um direito previsto na Constituição Federal e na lei que regulamenta o tema (7.783/89). Os bancários que sofrerem abusos como os descritos acima devem denunciar aos sindicatos.

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