Ato contra o Bradesco denuncia demissões injustas em agência de Juiz de Fora

O Sintraf Juiz de Fora realizou, na terça-feira (13), um ato em frente a uma agência do Bradesco no centro de Juiz de Fora. O objetivo do ato foi firmar a posição do sindicato em defesa dos bancários, uma vez que o Bradesco vem demitindo funcionários com histórico de adoecimento. A diretoria do sindicato marcou presença e com falas condenou as demissões injustificadas, as metas abusivas e as práticas assediadoras cada vez mais comuns no cotidiano das agências.

No dia 26 de outubro três funcionários desta agência, todos dirigentes de uma cooperativa de crédito (regulamentada conforme Banco Central) e com histórico de adoecimento, foram demitidos. Os funcionários procuraram o sindicato para lutarem pelo cancelamento das demissões e garantirem que seus direitos prevalecessem.

A diretora de Saúde e Condições de Trabalho do Sintraf JF, Taiomara Neto de Paula, relata que durante a realização dos exames demissionais os bancários apresentaram todo o histórico de exames, atestados e medicações que comprovaram a inaptidão para o trabalho, o que inviabiliza as demissões. Taiomara acrescenta: "Estamos em contato com o setor de Relações Sindicais para o cancelamento dos desligamentos devido à inaptidão comprovada. Também repassamos o caso para a coordenadora da Comissão de Empregados do Bradesco e presidenta da FETRAFI-MG, Magaly Fagundes, que tem acompanhado o andamento do caso.".

Em conversa com os bancários demitidos fica claro como o assédio e os abusos por parte de superiores hierárquicos tem gerado consequências danosas à saúde dos bancários. O Cliente Misterioso é um dos mecanismos que o Bradesco encontrou para monitorar a qualidade dos atendimentos, mas o que verificamos é que se instalou com a ferramenta uma nova forma de assediar. Á partir da conversa, podemos constatar que pelo medo de serem demitidos os bancários preferem rejeitar a orientação dos médicos para se afastarem do trabalho. 

Ambos os funcionários demitidos tinham mais de vinte anos de casa e demonstravam muito comprometimento com o trabalho, o que não foi valorizado e trouxe prejuízos à saúde. "Passamos a vendedores e a sermos impulsionados diariamente a vendas absurdas. O Banco nos cobra ética, mas obriga a oferta de produtos não éticos aos clientes. As cobranças também vêm de forma agressiva. Somos cobrados por diversos serviços: venda de seguros de carro, residencial, entre outros. Trabalhamos para diversas empresas do grupo Bradesco. Não tem como não adoecer. Está desumano!" relatam os bancários.

A diretora Taiomara faz um alerta para que a categoria não deixe de relatar nos exames periódicos suas queixas e exija o registro do adoecimento. Além disso, ela orienta que os bancários façam seu trabalho com ética, mas não priorizem o Banco, mas sim a saúde. "Assuma o controle da sua saúde porque para o Banco somos apenas números." conclui.

Antes do fechamento dessa edição tivemos, através da diretora de Saúde e Condições de Trabalho do SINTRAF JF, a informação de que as três demissões foram canceladas. Resultado de esforço do sindicato que se colocou à disposição desde o primeiro dia e denunciou tamanha injustiça. Taiomara frisa a importância do apoio e atuação da Federação, através da presidenta Magaly Fagundes. Ela finaliza comemorando também a repercussão do ato organizado pelo sindicato e ressalta que a entidade sempre estará nas ruas para denunciar os absurdos do sistema bancário que cada vez expande sua lucratividade à custa da exploração da categoria.

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