Universidade Global do Trabalho: CUT destaca papel da formação

“Precisamos cada vez mais articular o movimento sindical nacional com as experiências internacionais, num esforço para unir a vida dinâmica do sindicalismo e da academia. É necessário qualificar cada vez mais os nossos dirigentes e assessores para o embate político e ideológico contra o neoliberalismo e pela globalização de direitos. A constituição da Universidade Global do Trabalho é resultado deste compromisso”, afirmou o presidente nacional da CUT, Artur Henrique, segunda-feira, durante debate na Conferência Internacional Desenvolvimento Global: Desafios às Estratégias Sindicais, realizada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A Universidade Global do Trabalho (Global Labour University) é fruto de uma parceria internacional entre organizações sindicais, universidades, institutos de pesquisa e organizações sociais com o objetivo de promover cursos e incentivar a pesquisa e debates sobre o mundo do trabalho. Na Conferência em Campinas, sindicalistas, pesquisadores e acadêmicos de vários países apresentaram artigos e debateram com o público desafios e estratégias para o movimento sindical no Brasil e no mundo, considerando a nova divisão internacional do trabalho e um desenvolvimento socialmente e ambientalmente sustentável.

Na avaliação do secretário nacional de Formação da CUT, José Celestino Lourenço (Tino), que integra o Comitê da Universidade Global do Trabalho, “a iniciativa é inovadora e servirá como instrumento estratégico de enfrentamento à globalização neoliberal”. Segundo Tino, “a participação cutista neste processo é relevante, pois a Central tem experiência acumulada nas mais diversas áreas, o que contribui imensamente na qualificação do debate”. A relação histórica construída com a Unicamp, a partir do Centro de Estudos de Economia Sindical e do Trabalho (Cesit) foi citada pelo secretário nacional de Formação como um exemplo a ser valorizado.

O secretário de Relações Internacionais da CUT, João Antonio Felício, recordou as relações históricas de amizade estabelecidas com a Fundação Friedrich Ebert, as parcerias estabelecidas com a FNV da Holanda, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Cesit, como fundamentais para o contínuo aprimoramento da ação sindical cutista.

“Além de saber comandar atos públicos, passeatas e greves, o sindicalista necessita cada vez mais de conhecimento para o enfrentamento com o capital e a globalização neoliberal. Por isso investimos na formação de redes sindicais, como o projeto CUT-Multinacionais (CUT-Multi), porque queremos cada vez mais construir um sindicalismo de luta, enraizado na base, articulado nacional e internacionalmente”, declarou. Segundo João Felício, os inegáveis avanços obtidos no último período por todo o Continente, ao que se soma agora a derrota dos neoliberais no Paraguai, demonstra que vivemos uma etapa rica para a ação sindical. “Em nosso país, garantimos uma política de valorização do salário mínimo, com aumento do poder de compra da população mais pobre e temos recentemente uma ação governamental em apoio à ratificação das convenções 151 e 158 da OIT, que tratam da negociação coletiva no serviço público e da coibição à demissão imotivada no setor privado. Com mais informação e formação, vamos ampliando espaços”, acrescentou.

Entre outras autoridades, intelectuais e lideranças sindicais, participaram do evento o presidente do Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea), Márcio Pochmann; Frank Hoffer, representante internacional da OIT; a representante da OIT no Brasil, Laís Abramo; o coordenador político da Central Sindical dos Trabalhadores das Américas (CTA), Ivan Gonzáles; o pró-reitor da Unicamp, Edgar de Deca; o diretor do Instituto de Economia da Unicamp, Mariano Laplane; e o representante da Fundação Friedrich Ebert, Jochen Steinhibek.

Os debates continuam nesta terça-feira com as mesas sobre Estratégias Sindicais para Desenvolvimento Social e Ambiental Sustentável, Economia Informal e Trabalho Precário, e Novas Estratégicas Sindicais para Representação.

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