Seminário traça perfil do bancário e discute protagonismo mundial da Contraf

O segundo dia do Seminário Nacional de Estratégia para o Ramo Financeiro, organizado pela Contraf-CUT, em São Paulo, começou com um painel sobre a estratégia política no campo internacional. Para falar sobre o tema, foi convidado o bancário e dirigente sindical, André Rodrigues, chefe do Comitê Executivo da Uni América Finanças, braço continental da UNI Global.

André iniciou a discussão traçando um perfil do sindicato mundial. “A UNI Global vem se estruturando para atuar como um sindicato global de fato, não é só mandar carta para entidades e empresas, esse é o menor dos trabalhos. Nós atuamos com as pautas dos sindicatos, fazemos pressão nos bancos, nos empresários. Diferentes dos bancários, existem sindicatos de outros países que precisam de apoio para atuar numa campanha salarial, organizar uma greve por exemplo, e fortalecemos este trabalho”, explicou.

O chefe do Comitê Executivo da Uni América Finanças destacou que há muitos sindicatos nacionais em outros países, mas que os acordos são fechados por empresas, o que, para ele, ” é uma tragédia, um tiro nos dois pés”. Ele explicou como esta forma estrutural prejudica as negociações coletivas. “O funcionário fica refém da empresa. No México é assim, no Chile também. No Chile, há 24 sindicatos de bancários, só do Santander. Tem sindicato com 12 filiados. Muitos ficam perdidos, esfacelados, brigam entre si, o que é altamente prejudicial aos trabalhadores, sem poder de mobilização. ”

ESTRATÉGIA DA CONTRAF-CUT

Sobre a estratégia política da Contraf-CUT, André afirmou que a Confederação tem uma papel importantíssimo no fortalecimento global do sindicalismo.

“A Contraf-CUT deve assumir um trabalho de protagonismo, de articular sindicatos cutistas na UNI. Dialogar com os sindicatos de outros ramos, e junto com a CUT fazer este mapeamento dos sindicatos. para ampliar a participação nas discussões trabalhistas mundiais..

O secretário de Relações Internacionais da Contraf-CUT, Mário Raia, destacou a importância da atuação internacional dos trabalhadores. “A Contraf-CUT faz parte do Comitê Mundial da UNI Finanças, UNI Américas, UNI Mulheres e promove um trabalho importante na organização dos trabalhadores americanos com a CWA,” informou.

PERFIL DOS BANCÁRIOS

A mesa “Diretrizes da Ação Sindical da Contraf-CUT”, também contou com a participação da economista do Dieese, Regina Camargos, com um retrato da categoria bancária, entre 2003 e 2013.

A taxa de sindicalização é de 39,6%, considerada alta, já que a taxa média no Brasil é de 18%. Mas Regina fez questão de destacar que projetos como o da terceirização podem influenciar de forma negativa nesta representatividade.

” Pode ocorrer uma desestruturação com a terceirização, fragmentando e quebrando a sindicalização. Estive em um encontro na USP e os jovens estão preocupados. Os estudantes também reconheceram a luta dos bancários contra a terceirização, porque é uma categoria que atua unificadamente e pode resistir. Não é a toa que a Fenaban está tentado quebrar a linha dorsal dos bancários”, alertou.

OUTROS DADOS

Em 2004, eram 455. 073 bancários no Brasil. Em 2013, o número ficou em 511.833 trabalhadores. Mas em 2014, em virtude das demissões, a estimativa é de 506 mil, número que ainda será fechado.Atualmente, 51 % são do sexo masculino e 49% feminino. Mas as mulheres continuam ganhando salários mais baixos, 23% a menos da remuneração dos homens.

“Em 11 anos, essa diferença só caiu 3%. É cada vez mais importante na convenção coletiva a discussão sobre da igualdade de oportunidades entre sexos”, explica a economista.

Entre 2003 e 2013, o ganho real de salário dos bancários foi de18%. Levando em conta apenas os bancos públicos, o índice é de 17%, mas nos privados cai para 9%. Efeito da rotatividade praticada pelos bancos, de acordo com o Dieese.

Com relação à escolaridade, a categoria está entre as com mais anos de estudo: 68, 56% têm formação acadêmica. Mas o diploma não tem relação direta com a sindicalização. ” Este é um desafio para a Contraf-CUT e seus sindicatos, estimular a sindicalização dos universitários, que estão sendo formados por instituições cada vez mais tradicionais e menos politizadas”, explicou Regina.

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