SEEB-PI denuncia Bradesco ao Ministério Público do Trabalho

Trabalhadores relataram jornada excessiva de trabalho

Após recorrentes relatos de empregados do Banco Bradesco sobre jornada excessiva de trabalho, o Sindicato dos Bancários do Piauí (SEEB-PI) apresentou, na terça-feira (28/01), denúncia à Procuradoria Regional do Trabalho – 22ª Região, no Ministério Público do Trabalho. Na reunião com a procuradora chefe, Dra. Maria Elena Moreira Rego, estiveram presentes os diretores Paulo Toussaint, Robert Mendes e a advogada do SEEBF-PI, Denille Teixeira.

O diretor do Seeb Piauí, Paulo Toussaint, explica que o sindicato vem monitorando o Bradesco, no tocante à jornada excessiva de trabalho, desde que o banco comprou a folha de pagamento do INSS, ocasionando superlotação nas agências e exigido dos funcionários excesso de 03 a 04 horas a mais na jornada de trabalho, extrapolando o limite de até 02 horas, permitido por Lei (CLT).

“Agora o Bradesco começou a comprar também as folhas de pagamento de prefeituras do Estado, tanto no Piauí, quanto Maranhão, Ceará, num programa que chamam de Fidelize. Assim, o Bradesco desloca os funcionários de diversas regiões para que façam formalização de abertura de contas de todos os funcionários da prefeitura dessas cidades, além de oferta de produtos e serviços, e inclusão de Cadastros. Com isso, alguns funcionários, principalmente os que têm jornada de 06 horas, estão extrapolando a jornada em 03 a 04 horas, descumprindo o que rege a CLT”, denuncia Paulo Toussaint.

O diretor do Seeb Piauí ressalta ainda que, além da jornada excessiva, o Bradesco tem obrigado os funcionários a um constante deslocamento, tanto dentro do Piauí, quanto para outros Estados, por isso, principalmente os funcionários mais novos, estão deixando de ter um posto fixo de trabalho. “Trabalham numa semana em uma cidade, 15 dias depois estão em outra cidade, 15 dias depois em outro Estado. Agora nós recebemos informações que os colegas que estão trabalhando em Altos, vão ter que se deslocar para Floriano, por exemplo. Por esses relatos, fizemos a denúncia no Ministério Público do Trabalho”, afirmou.

A procuradora Dra. Maria Elena Moreira Rego, chefe da Procuradoria Regional do Trabalho, explicou que o próximo passo será formalizar a denúncia no site da Procuradoria Regional. “No momento em que for feita essa denúncia, imediatamente ela vai para a distribuição para um dos nossos procuradores do trabalho e ele adotará as medidas necessárias para regularizar a situação. As instituições financeiras hoje representam um dos maiores, digamos assim, ‘clientes’ do Ministério Público do Trabalho, porque têm procedimentos de trabalho para se adequar à globalização, a metas e produtividades e isso realmente tem ocasionado um grande adoecimento dos trabalhadores desse setor”, disse a procuradora chefe do MTP.

O diretor do SEEBF-PI, Robert Mendes, reafirmou o papel do sindicato na defesa dos trabalhadores. “Nosso papel é trabalhar nesse sentido. O funcionário entra para prestar serviço de uma forma e quando chega lá dentro é submetido a fazer de outra forma. Fica a família à mercê, em virtude de deslocamentos constantes, que estão se tornando uma rotina. A pessoa se obriga a trabalhar com essa nova metodologia que o banco implementa visando lucro, e com isso o ser humano aos poucos vai se debilitando e adoecendo. É uma preocupação e o sindicato buscou a Justiça para solucionar esse problema”, afirmou.

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