População LGBTQIA+ é uma das mais atingidas pela pandemia

Vulnerabilidade social e preconceito impactam no enfrentamento ao coronavírus

A população LGBTQIA+ é uma das que mais sofrem durante a pandemia causada pelo coronavírus. Além da vulnerabilidade social e doenças pré-existentes, os LGBTQIA+ também lidam com preconceito, atitudes hostis e falta de entendimento de funcionários e do sistema de saúde, para o enfrentamento da Covid-19.

“Por apresentar taxas mais altas de contaminação comunitária por HIV e de câncer, pessoas LBTQIA+ possuem maiores chances de comprometimento do sistema imunológico e vulnerabilidade para a Covid-19. Pelo mesmo motivo, a discriminação se torna uma barreira quando a opção é procurar atendimento médico”, explicou o dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Adilson Barros.

A contaminação pelo vírus HIV também preocupa ativistas e especialistas. Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, em 2018, já apontava o aumento de HIV entre homens gays no Brasil, sobretudo entre jovens.

De acordo com os dados, a taxa de novos casos na faixa etária de 15 a 19 anos mais do que triplicou entre 2006 e 2015. Passou de 2,4 para 6,7 casos a cada 100 mil habitantes. Já na faixa etária dos 20 a 24 anos, a taxa dobrou de 15,9 para 33,1 casos a cada 100 mil habitantes.

O levantamento também apontou razões pelas quais o aumento da incidência do HIV se deu no País e, principalmente, entre jovens. Um deles é o esvaziamento de campanhas de prevenção destinadas ao público gay e, também, a perda de financiamento de organizações não-governamentais especializadas no tema.

Para a médica da família Ana Paula Amorim, da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), a crise gerada pelo surto de coronavírus no Brasil evidencia não só uma questão de saúde para a população LGBT, mas uma situação de extrema vulnerabilidade que é acentuada neste momento.

“Um dos pontos de maior relevância é a exclusão social e a violência à qual a população LGBT é submetida. Isso faz com que essas pessoas não tenham recursos para ficar em casa, por exemplo”, diz. “A gente tem uma grande parcela da população LGBT, ainda mais das pessoas trans, incluídas no mercado informal de trabalho e também na prostituição como única forma de retorno financeiro.”

De acordo com o médico infectologista, Vinicius Borges, a recomendação para as pessoas com HIV é que continuem seu tratamento de acordo com a recomendação médica, mas reforcem a proteção contra a Covid-19.

“Não existem estudos específicos mas, aparentemente, a doença não se comporta de uma maneira mais grave em pessoas vivendo com HIV. Mas é importante diferenciar que a pessoa que vive com HIV não é igual a pessoa que tem Aids. Geralmente, a pessoa com HIV tem uma imunidade maior, carga viral indetectável, então apresenta a mesma chance de se infectar e adoecer que o resto da população”, afirmou o médico infectologista.

Apoio emergencial durante a pandemia

Muitas instituições trabalham regularmente para apoiar a comunidade LGBTQIA+, porém, com a pandemia, os atendimentos também foram afetados. Os rendimentos das casas diminuíram e o isolamento social impede a realização de eventos, que garantem recursos para a manutenção dos projetos.

Para driblar esses obstáculos, a ONG All Out lançou uma campanha para apoiar casas de acolhimento LGBTQIA+ no Brasil. Para que as pessoas possam ajudar, sem sair de casa, é preciso entrar no site da campanha e fazer a doação. O valor será destinado a 12 casas, distribuídas em sete estados brasileiros, integrantes da Rede Brasileira de Casas de Acolhimento LGBTQIA+, para arcar com custos de manutenção, alimentação e materiais de limpeza.  As casas apoiam LGBTQIA+ em situação de vulnerabilidade social, como os que estão em situação de rua, os refugiados, aqueles que realizam trabalho sexual e os que podem ser despejados de seus lares.

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