Negros são os mais prejudicados na busca por recolocação no trabalho

Dois em cada três dos 12,8 milhões de desempregados do país são pretos ou pardos

As pessoas negras são as mais afetadas na busca por uma recolocação no trabalho. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dois em cada três dos 12,8 milhões de desempregados do país são pretos ou pardos.

A pesquisa mostra que, do total de pessoas sem emprego no Brasil, 52,1% são pardos, 34,7% são brancos e 12,2% são pretos. Ou seja, 8,2 milhões de desempregados.

Para o secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT, Almir Aguiar, a linha política e econômica do governo Bolsonaro, que retira direitos e impõe privatizações, tem gerado um aumento desordenado no volume de desempregados em nosso país. “Os dados revelam a falta de oportunidades para essa população, que, quando estão empregados, são alocados nos setores mais precarizados. As desigualdades sociais são tão evidentes, que o salário de um trabalhador branco pobre é 46% maior de que um trabalhador negro pobre, esse fator mostra um dos fatores das desigualdades sociais no Brasil” afirmou.

Ele lembrou ainda que no setor bancário os negros são mais vulneráveis ao assédio moral. “A cor da pele chega a ser um impeditivo para ascensão profissional e recebem 68% da remuneração de um trabalhador não negro, sendo que a situação da bancária negra, ainda é pior. Esse ano realizaremos o III Censo da Diversidade na categoria, precisamos comparar o atual quadro em relação ao Censo de 2014, e debater a contratação de mais negros e negras no sistema financeiro e por fim a essa política discriminatória “, disse Almir Aguiar.

Campanha de Valorização da Diversidade

A categoria bancária é uma das primeiras a conquistar a inclusão de uma cláusula de combate à discriminação nos bancos. A realização do Censo da Diversidade também contribui para a análise de políticas inclusivas e a criação de oportunidades igualitárias no setor.

De acordo com os dados do 2º Censo, realizado em 2014, houve avanço no número de negros no setor bancário. Eram 19% de negros na primeira pesquisa. Os funcionários que se auto definiram foram 24,7% dos entrevistados. A grande falha, no entanto, é que não há um indicador voltado para a situação das mulheres negras nas instituições bancárias. 

Neste ano de 2019, será realizado o 3º Censo da Diversidade Bancária e a Campanha de Valorização da Diversidade, que visa a capacitação da categoria sobre o tema. O objetivo é levar os bancários a se tornarem agentes da diversidade, não apenas no ambiente de trabalho, mas também nos seus demais locais de convivência social.

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