Itaú amplia lucro com aumento de juros cobrados nos empréstimos a clientes

Mesmo com uma contração de 2,2% em sua carteira de crédito, o Itaú Unibanco aumentou em 4,1% a receita com juros cobrados nos empréstimos a clientes, na variação trimestral, e anotou um lucro líquido de R$ 5,98 bilhões no segundo trimestre deste ano. A diminuição do tamanho do estoque de financiamentos do banco, que fechou junho em R$ 531,7 bilhões contra R$ 543,3 bilhões em março, mostra que parte dos empréstimos está vencendo e não está sendo renovada.

Por outro lado, com o aumento da taxa básica de juros (Selic), a instituição financeira – em linha com o restante do mercado – está aumentando os juros cobrados nas antigas e novas operações, em proporção maior que as taxas pagas nas captações de recursos (funding).
Consequentemente, os spreads, que representam a diferença entre as duas taxas, seguem crescendo. Na variação trimestral, o spread de crédito da instituição financeira subiu 0,2 ponto percentual, para 11,3%. Ou seja, para cada R$ 100 em créditos movimentados, o banco ganhou R$ 11,30.

“O mercado está praticando spreads maiores e nós não somos exceção”, afirmou Marcelo Kopel, diretor de relações com investidores do Itaú Unibanco, em teleconferência com jornalistas.
“Se tem empréstimos contratados há dois anos, por exemplo, eles estão sendo renovados com as taxas vigentes, então spreads médios estão tendo elevação”.

O cenário macroeconômico, entretanto, está desfavorável para o crédito – com juros maiores, as pessoas estão tomando menos empréstimos e, com a redução da renda e o desemprego, estão dando mais calotes – e a estratégia do banco, de crescer aumentando o preço, sem ganhar escala, não deve se sustentar nos médio e longo prazos.

Na última reunião, em que subiu a Selic em mais 0,5 pontos, o Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou que não pretende continuar com a alta dos juros. De acordo com Lenon Borges, analista de bancos da Ativa Investimentos, embora o Itaú provavelmente vá continuar aumentado os juros, o ritmo deve diminuir no terceiro trimestre.

“Os bancos estão entregando resultados não condizentes com o cenário que a gente vive”, afirmou o analista. “Eles estão conseguindo se livrar de fatores que estão indo contra, mas não dá para fazer isso para sempre”, completou.

Os impactos do momento econômico, contudo, já começaram a ser sentidos pelo Itaú. Depois de 11 trimestres seguidos de queda, a inadimplência do banco registrou avanço de 0,3 pontos, para 3,3% e, segundo Kopel, a instituição já contempla “leves altas” no terceiro trimestre deste ano.
Na avaliação de Borges, a inadimplência foi o principal fator que contribuiu para a queda de 2,54% das ações do banco, que encerraram o pregão cotadas a R$ 29,16.

“O mercado trabalha com perspectiva. Apesar do lucro acima do esperado, teve avanço na inadimplência e nos atrasos de 15 a 90 dias”, disse.

Os atrasos, que são um termômetro para os calotes futuros, tiveram alta de 0,1 ponto na variação trimestral e 0,3 ponto, na anual.
Segundo o analista, se o banco não tivesse melhorado a qualidade da carteira de crédito, focando em linhas de menores riscos, os calotes poderiam estar mais altos. As duas linhas de crédito que mais avançaram no banco foram o consignado, com alta de 52,3% na variação anual, para R$ 45,5 bilhões, e o imobiliário, avanço de 20,8%, para R$ 31,7 bilhões.

Na receita com prestação de serviços e tarifas bancárias, o Itaú registrou avanço de 9%, no ano, para R$ 6,9 bilhões.

Outra variável que contribuiu positivamente para o avanço de 4,4% do lucro líquido na variação trimestral foi a redução das despesas com pessoal, que caiu 3,7%, para R$ 4,34 bilhões. O resultado ajudou, inclusive, a impulsionar o índice de eficiência do banco, que caiu de 45,7% para 44,6% no trimestre – como o indicador aponta quanto o banco gasta para gerar receita, quando menor ele for, melhor.

O avanço mostra que o Itaú está conseguindo, com cada vez mais eficiência, enxugar os custos gerados pela fusão com o Unibanco e ter retorno sobre a estrutura gigantesca proveniente da operação de 2010.

HSBC

Movimento semelhante ao do Itaú deve ser feito pelo Bradesco, que precisará rentabilizar os R$ 160 bilhões em novos ativos, provenientes da aquisição do HSBC, por US$ 5,18 bilhões. Questionado sobre a transação, o diretor de RI do Itaú afirmou que a operação “fortalece osistema financeiro e mantém a capitalização do mercado”. Em relação a concorrência, Kopel disse que, no Brasil, o cliente bancário tem liberdade de escolha e irá optar pelo melhor serviço.

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