Governo do Maranhão recebe FNDC e se compromete a ampliar debate de comunicação

Plenária do movimento no 4º Encontro Nacional pelo Direito a Comunicação aponta que é preciso organizar comitês regionais, as atividades da campanha ‘Calar Jamais’ nos estados e as finanças do FNDC
Crédito: NUCOM/ FACULDADE ESTÁCIO DE SÃO LUÍS

A Direção Executiva do Fórum Nacional de Democratização da Comunicação (FNDC) foi recebida pelo governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), no Palácio dos Leões, no centro de São Luís, na manhã desta sexta-feira (18). Dino se comprometeu a ampliar o debate sobre comunicação em toda região e disse que, na próxima reunião do Consórcio Nordeste, que reúne todos os governos da Região, vai convidar representantes do FNDC para falar sobre o tema de forma democrática.

“A gente conseguiu sensibilizar o governador e ele quer que a gente do FNDC faça um diálogo com as secretarias de comunicações do Nordeste para discutir uma comunicação pública, plural e que atenda toda diversidade do nosso país”, afirmou o secretário-Adjunto de Comunicação da CUT, Admirson Medeiros Ferro Junior, mais conhecido como Greg, que participou da audiência.

Além disso, destacou Greg, que também é secretário de Comunicação do FNDC, a proposta do governador é incluir a construção de uma rede de comunicação na Região Nordeste “para combater este leque de fake news que a gente convive diariamente”.

Uma das coordenadoras do FNDC, Cristina Castro, disse que este encontro foi fundamental porque o governo do Maranhão não só apoia, mas pratica a democratização da comunicação.

“Neste momento de diversos ataques e retrocessos relacionados à democratização da comunicação e a liberdade de expressão ser recebida por um governo que resgatou uma rádio que já não funcionava há muitos anos e a colocou a serviço dessa democracia é de uma simbologia gigantesca”.

Segundo Cristina, isso também mostra que basta uma decisão política para transformar a comunicação deste país.

O encontro fez parte da agenda do 4º Encontro Nacional pelo Direito a Comunicação (4ENDC), promovido pelo FNDC, que acontece entre os dias 18 e 20, na capital maranhense.

Crédito: NUCOM/ FACULDADE ESTÁCIO DE SÃO LUÍS
Crédito: NUCOM/ FACULDADE ESTÁCIO DE SÃO LUÍS

Plenária do FNDC

Para abrir o 4ENDC, o FNDC realizou a 22ª Plenária Nacional, nesta quinta-feira (17), para discutir os eixos principais do movimento, como a organização dos comitês regionais, as atividades da campanha ‘Calar Jamais’ nos estados e sobre as finanças do FNDC.

A atividade aconteceu em dois momentos. Na primeira parte, os comitês estaduais e entidades nacionais do FNDC fizeram um balanço do período anterior e uma reflexão sobre o atual cenário. Na segunda, eles discutiram a questão das finanças do movimento.

“Foi um debate muito legal porque os comitês estaduais trouxeram suas preocupações e informações das dificuldades com o processo de organização e as entidades nacionais também contribuíram com esse debate. Ao final tiramos ações na perspectiva de melhorar essa nossa relação, de fortalecer os comitês e garantir a integração entre os processos fazendo com que a gente possa melhorar a ação democraticamente”, afirmou o representante da CUT no FNDC, o Greg.

Ainda no debate sobre a organização do movimento em todo país, os comitês regionais e entidades nacionais relataram a dificuldade de organização e articulação da pauta da defesa da comunicação frente à conjuntura nacional de ataques e retrocessos em todas as áreas desde o processo do golpe de 2016 e aprofundados desde a eleição de Jair Bolsonaro (PSL).

Apesar do atual contexto político, foram apresentadas experiências positivas dos estados, principalmente no sentido de ampliar o Fórum para novos coletivos e novos espaços, além de debates temáticos e atividades de formação.

Sobre a questão financeira do FNDC, Greg conta que há uma preocupação do Fórum, que é uma representação da sociedade civil, porque estes espaços de participação social, segundo ele, vêm sofrendo fortes ataques do governo Bolsonaro. Mesmo com todas estas dificuldades, Greg afirma que o FNDC não vai desistir da luta.

“Este governo trabalha com a retirada de conquistas dos movimentos sociais e dos direitos dos trabalhadores com agressão pesada no sentido de desestruturar essas instituições para retirar os recursos e inviabilizar as ações, mas dialogamos com as entidades que aqui estão e vamos juntos e de forma solidária retomar a regularização financeira e fazer com que o FNDC realize a sua agenda política”, finalizou Greg.

4ENDC e a luta pela democratização da comunicação

Cerca de 250 pessoas se inscreveram para participar das atividades do 4ENDC. São ativistas, militantes, pesquisadores e estudantes, representantes de organizações e movimentos sociais de todo Brasil que estão discutindo o direito da comunicação, a defesa da democracia e da liberdade de expressão.

A programação do 4ENDC está recheada de palestrantes que são referência em cada eixo temático do encontro: a jornalista Maria Inês Nassif, o produtor cultural e jornalista cultural do Ceará, Émerson Maranhão, o jurista e o presidente da Instituição Luiz Gama, Silva Almeida, e o editor-executivo do The Intercept Brasil, Leandro Demori. Além de debatedores internacionais, como o argentino Martín Becerra, da Universidade de Quilmes e Universidade de Buenos Aires, e o inglês Nick Couldry, sociólogo e professor da London School of Economics and Political Science.

As pautas do encontro são desde o papel da comunicação e da cultura na resistência democrática, violação de direitos humanos na mídia, o monopólio da mídia e o ataque aos direitos sociais, até comunicação pública como promotora da diversidade e pluralidade, fake news: a desinformação como tática política, proteção de comunicadores em tempos de autoritarismo e a mídia, a operação Lava Jato e a destruição do Estado Democrático de Direito.

Nesta sexta-feira (18) terá um ato político em defesa da democracia e da Liberdade de expressão.

“Acho que a gente vai sair daqui mais animado, mais esperançoso e com muito mais convicção sobre o que nós precisamos fazer para resistir ao governo Bolsonaro e o autoritarismo que essa direita fascista instalou no Brasil”, afirmou a coordenadora-geral do FNDC, Renata Mielli.

Para o secretário-Adjunto de Comunicação da CUT, “é muito importante que a Central esteja presente em um espaço onde a sociedade está organizada para discutir a democratização da comunicação e a liberdade de expressão. O papel da CUT, uma Central cidadã e democrática, é este”.

Sobre o FNDC

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) congrega entidades da sociedade civil para enfrentar os problemas de comunicação no país.

São mais de 500 filiadas, entre associações, sindicatos, movimentos sociais, organizações não-governamentais e coletivos que se articulam para denunciar e combater a grave concentração econômica na mídia, a ausência de pluralidade política e de diversidade social e cultural nas fontes de informação, os obstáculos à consolidação da comunicação pública e cidadã e as inúmeras violações à liberdade de expressão.

Fonte: CUT BRASIL

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