Fetraf-RJ/ES completa 58 anos ao lado dos trabalhadores

A Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo completou neste 23 de maio 58 anos de fundação. Criada dentro do esforço nacional para a construção de uma confederação nacional, a Fetraf-RJ/ES foi formada de baixo para cima, com sete sindicatos. Hoje, são 13 filiados, com a mesma base sindical desde sua fundação.

Para o presidente da Contraf-CUT, Roberto von der Osten, são muitos anos de luta na defesa dos direitos da categoria bancária. “E nestes anos todos a Federação sempre mostrou a sua importância articulando a organização dos seus sindicatos para a luta em defesa dos direitos dos bancários e da democracia, sempre sonhando com a construção de um mundo melhor, mais justo e mais igualitário. Muitos dirigentes passaram por sua história. Muita gente contribui para que a entidade se consolidasse desde o seu início. Fundada numa época de efervescência política sindical, 1958, foi logo nos seus primeiros anos vitimada pela ditadura civil militar que cerceou a liberdade da maioria das federações e sindicatos de bancários no Brasil. Sobreviveu a duras penas. Renasceu com a reorganização do movimento sindical brasileiro que encurralou a ditadura e retomou a resistência. E continuou sua luta. Nossa categoria viveu transformações profundas nestes anos. A Federação também, mas sempre ao lado e em defesa dos bancários e bancárias”, enfatizou.

Esforço e intervenção

Os bancários de todo o país se reuniram em Porto Alegre em 1956 e decidiram fundar federações país afora para que pudessem criar a Confederação Nacional da categoria, a Contec. Na época, havia somente a Feeb-RS e eram necessárias três federações para fundar a entidade nacional. Na base do Rio de Janeiro e Espírito Santo, já havia cinco sindicatos, o número mínimo exigido pela legislação, mas houve um esforço para criação de mais entidades. Dois outros sindicatos foram formados, com cartas sindicais emitidas somente dois meses antes do envio dos documentos de fundação da Feeb-RJ/ES, e no ano seguinte, surgiram mais três. Com apenas um ano de fundação, nossa federação já contava com dez filiados.

Mas a onda progressista do final dos anos acabou em pouco tempo e os sindicatos foram duramente atacados com o golpe de 64. Nossa jovem Feeb-RJ/ES sofreu intervenção e sua diretoria foi dissolvida. O então presidente da entidade, Luiz Viegas da Mota Lima, estava na primeira lista de cassações, o AI-1, ao lado de outros 99 nomes como Leonel Brizola, Luís Carlos Prestes, João Goulart, Juscelino Kubitscheck, Rubens Paiva, Plínio de Arruda Sampaio, Celso Furtado, Darcy Ribeiro e de outros líderes sindicais, como o bancário Aluísio Palhano, presidente da Contec e vice-presidente do Comando Geral dos Trabalhadores e de Clodesmidt Riani e Roberto Morena, presidente e diretor do CGT.

Ditadura e reconstrução

Ao contrário de outras entidades, que tiveram diretorias impostas pelo Ministério do Trabalho por muitos anos, uma relativa autonomia foi retomada em 1967. A diretoria eleita era composta por bancários conservadores, que atuavam de maneira pífia, contando com a conivência do ministério por não criarem dificuldades ao regime. Estes dirigentes sob “liberdade vigiada”, se por um lado evitaram o desmonte da entidade, por outro passaram uma borracha em sua breve história. O renascimento do movimento sindical bancário, em 1979, não teve nenhum apoio da Feeb, mesmo que o maior sindicato, o do município do Rio de Janeiro, tenha feito uma greve importante, ao lado de Porto Alegre e São Paulo.

As diretorias pelegas ficaram à frente da entidade até 1987, mas aos poucos foram entrando para os quadros da entidade ativistas mais progressistas. Foi através do esforço destes sindicalistas que já estavam na diretoria, em cooperação com um grupo de oposição, que sindicalistas encabeçados por Nelson Lentini assumiram a entidade, afastando os conservadores.

A Contec, desfigurada com a ditadura, nunca se recuperou e a Feeb-RJ/ES decidiu se desfiliar e passar a integrar o Departamento Geral dos Bancários, a entidade nacional progressista que surgiu em 1985 para reorganizar o movimento. A CUT, formada em 1988, foi a próxima entidade à que a Federação se filiou, em dezembro de 1991.

Atuação

Um dos grandes momentos da Feeb-RJ/ES foi a luta contra a privatização do Banerj, o banco estadual de fomento do Rio de Janeiro. Com enorme número de agências por todo o estado do Rio de Janeiro, a mobilização foi massiva no estado, com manifestações em vários locais e muita pressão sobre o governo estadual. Mesmo com a venda do banco em Junho de 1997, ainda hoje a organização dos funcionários é forte e a Federação tem importante papel nas discussões dos problemas pendentes desde a privatização do Banerj.

Com a transformação do DNB em CNB, em 1992, a Feeb-RJ/ES também teve papel importante, fortalecendo a entidade desde a primeira hora. Anos depois, com a fundação da Contraf-CUT, em 2006, a entidade voltou a empenhar seu apoio ainda no primeiro momento.

Neste mesmo ano de 2006, dentro do esforço da construção do Ramo Financeiro, a Feeb faz uma reforma estatutária e passa a se chamar Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo – Fetraf-RJ/ES. Mas a alteração do registro sindical junto ao Ministério do Trabalho e emprego demorou, sendo concretizada apenas em 2011.

No presente

O atual presidente da Fetraf-RJ/ES é Nilton Damião Esperança, oriundo do Sindicato dos Bancários de Três Rios. Depois de ficar na vice-presidência por dois mantados, Nilton já acumula experiência nas questões nacionais, sendo membro do Comando Nacional dos Bancários há quatro anos. Sempre ciente de seu papel, o sindicalista procura agir com responsabilidade e valorizando a unidade entre os filiados. Neste seu primeiro mandato como presidente, o dirigente se mostra satisfeito com a atuação dos demais colegas sindicalista. “Fico feliz em presidir uma entidade de luta, que tem nos princípios democráticos o seu Norte. Nossa Fetraf-RJ/ES não só defende os interesses dos bancários, mas é uma federação cidadã, que sempre mostrou preocupação com o conjunto da classe trabalhadora e a sociedade como um todo. É no dia a dia de nossa atuação que praticamos e demonstramos os princípios que nos orientam”, resumiu Nilton.

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