Curitiba: Dia de combate ao assédio moral no Bradesco

Nesta quarta-feira (5), o Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e Região está paralisando as atividades de quatro agências do Bradesco (Juvevê, Praça Dr. Vicente Machado, República Argentina e Brasílio Itiberê) em virtude de denúncias recorrentes de assédio moral. Os dirigentes sindicais já estavam monitorando o ambiente destas unidades e, nos últimos dias, foi notado piora nas condições de trabalho.

“Das agências denunciadas, três são reincidentes, o que mostra total despreparo dos gestores nas questões de recursos humanos. A piora da situação também deixa claro que as providências tomadas pela Diretoria Regional de ‘reorientação’ diante das denúncias feitas anteriormente não surtiram o efeito esperado”, explica Ademir Vidolin, secretário de Saúde da Fetec-CUT-PR e representante do Paraná na Mesa Temática de Saúde.

Denúncias
As denúncias que chegam ao sindicato relatam diversas atitude de gestores, como: humilhar os funcionários (inclusive gritando na frente dos clientes); ameaçar de demissão (geralmente nas reuniões de cobrança por metas); perseguir (uma pessoa específica ou alguém que é escolhido aleatoriamente); isolar (chegando até a pegar a pessoa agressivamente pelo braço e deixá-la em uma sala); descontrole (dar soco na mesa e gritar em voz alta); postura antiética (fazendo intriga entre os funcionários e para os regionais); falta de liderança (imputando a responsabilidade exclusivamente sobre os demais e utilizando palavras agressivas); e até insinuar que as mulheres devem vestir-se melhor e usar atributos físicos para entregar resultado.

“Esses são alguns casos que se repetem diariamente, trazendo angústia e adoecimento psíquico para o quadro de funcionários. Para sair deste sofrimento alguns tentam desesperadamente uma transferência, outros pedem demissão. Constatamos, em alguns casos, que em vez do gerente se reposicionar e corrigir seu comportamento, acaba perseguindo ainda mais o quadro de funcionários, dizendo que sabe exatamente quem o denunciou e que vai dar o troco”, acrescenta Ademir Vidolin.

Desumanização do trabalho
Para o Sindicato, os métodos de gestão aplicados pelos bancos vêm implementando um processo de desumanização do trabalho bancário. Existem diversos fatores que impactam diretamente na obtenção dos resultados, tais como as diferenças das agências entre as diversas praças e suas peculiaridades; a redução de funcionários devido a demissões, transferências, férias e afastamento por doença; a real necessidade dos clientes em relação aos produtos ofertados; a alta taxa de juro aplicada no sistema financeiro, o que dificulta a realização de negócios; e a crise financeira, que aumenta a inadimplência de pessoas físicas e jurídicas.

“Começamos, neste momento, a perceber formas diferentes de administração nas agências. De um lado, encontramos gestores que sabem absorver a pressão recebida, orientam os funcionários de como utilizar ferramentas fornecidas com o intuito de atingir os objetivos, com diálogo e respeito, viabilizando um bom ambiente de trabalho. E ao surgir alguma dificuldade busca-se a conciliação para a solução de possíveis dificuldades ou conflitos. E destas agências não são feitas reclamações ao Sindicato, pontua o secretário de Saúde da Fetec-CUT-PR.

Por outro lado, alguns gestores cometem várias atitudes que se configuram como assédio moral e que trazem sofrimento às vítimas. “Para que possamos alterar esta realidade, e melhorar as condições de trabalho dos bancários, precisamos do empenho de todos, respeitando a legislação e, acima de tudo, a dignidade do trabalhador”, finaliza Ademir Vidolin.

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