Curso OIT e Sindicalismo debate organização sindical internacional

Segundo módulo do curso está previsto para ocorrer em novembro de 2019

Com o objetivo de fortalecer a ação sindical internacional da categoria bancária, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) realizou nos dias 4 e 5 de setembro, o Curso OIT e Sindicalismo Internacional. O curso foi realizado na Escola Dieese de Ciências do Trabalho e contou com a participação de 32 dirigentes sindicais brasileiros e de cinco representantes dos bancários de Angola.

De acordo com Roberto von der Osten, secretário de Relações Internacionais da Contraf-CUT, é muito importante trabalhar a questão do sindicalismo internacional devido ao protagonismo dos sindicatos locais na história. “Com a globalização mundial, as empresas transnacionais invadiram o mercado. O dirigente sindical e o trabalhador de base começaram a perceber que as decisões tomadas no local de trabalho não são locais, tampouco nacionais. Por mais combatente que o sindicato de atuação local seja, como ele vai pressionar a direção de uma empresa que está na Europa, Ásia ou África, por exemplo? Para isso, começa a necessidade de ter uma articulação internacional”, destacou.

O curso apresentou a história da organização internacional e a construção de estruturas sindicais como, por exemplo, a Central Sindical Internacional (CSI), que filia as centrais sindicais dos países. “A Contraf-CUT é filiada a UNI Global Union, uma federação mundial de sindicatos do setor de serviços, que reúne 12 ramos e atua em 4 regiões no mundo. Tem mais de 900 entidades sindicais filiadas e organiza mais de 20 milhões de trabalhadores”, explicou von der Osten. “Quando nós temos um problema com banco internacional ou quando queremos fazer acordo com banco Inter, nós recorremos a UNI Global Union, que organiza os seus sindicatos no mundo e, assim, fazemos uma negociação mundial”, completou o secretário de Relações Internacionais da Contraf-CUT.

Kjeld Jakobsen, ex-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), comentou a importância em discutir como os dirigentes sindicais no setor de finanças, e de outros, também podem utilizar as normas internacionais de trabalho e suas instituições para defender os interesses e direitos dos trabalhadores brasileiros. “Da mesma forma como suas alianças por meio das organizações sindicais internacionais podem contribuir para a luta em uma economia cada vez mais globalizada”, afirmou.

Para Leonor Poço, advogada e assessora sindical, o curso permitiu conhecer com maior profundidade os direitos fundamentais, as garantias internacionais de direitos humanos e o sistema internacional de normas e proteção jurídica. “Iniciativas como esta capacitam os dirigentes sindicais a ampliarem a aplicação do conhecimento e a utilização de novos instrumentos na defesa dos direitos dos trabalhadores”, afirmou a advogada.

“No atual estágio do capitalismo global, dominado pelo capital financeiro, especialmente no setor bancário, é fundamental conhecer instrumentos para ação internacional, já que o capitalismo se expande para o mundo inteiro, desde a sua origem”, afirmou Thomaz Jense, economista do Dieese. “A ação sindical tem buscado fortalecer alianças e promover ações em parcerias entre entidades sindicais e diversos países. Esse curso é essencial, urgente e mostra o acerto da Contraf-CUT de propiciar para as suas entidades uma oportunidade para redefinir as estratégias de ação sindical sobre como atuar nesse mundo globalizado e que tem no sistema bancário um grande desafio”, completou.

A Contraf-CUT, em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos SocioEconômicos (DIEESE) e a Consultoria Mil Povos, irá desenvolver um segundo módulo do curso, que está previsto para ocorrer em novembro de 2019. “O primeiro módulo do  curso OIT e Sindicalismo Internacional foi uma boa experiência, a participação dos dirigentes sindicais foi muita boa e representativa e vamos, de forma coletiva, definir o conteúdo e a data para a realização do segundo módulo”, finalizou Walcir Previtale, secretário de Formação da Contraf-CUT.

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