Copom eleva juros para 13,75%, favorece bancos e impede crescimento

O Copom-Comitê de Política Econômica elevou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, passando a taxa básica de juros para 13,75% ao ano, na reunião desta quarta-feira 3. Os bancos são os grandes beneficiários do aumento e desta elevada taxa de juros.

Ao mesmo tempo em que a medida representa mais lucro para o sistema financeiro e para os rentistas, ela tem efeitos extremamente danosos para a sociedade e a economia, pois inibe o consumo e os investimentos, drenam recursos do Estado para o setor financeiro e estimulam o rentismo, em detrimento dos investimentos na produção, que poderiam gerar mais empregos, renda e gastos sociais.

A quem interessa o aumento das taxas de juros

Os bancos são diretamente beneficiados pela elevação da taxa Selic. Por um lado, suas despesas com captação de recursos crescem, já que precisam oferecer taxas mais elevadas aos clientes pelas suas aplicações. Mas, em contrapartida, suas receitas também crescem, especialmente as oriundas das aplicações em Títulos e Valores Mobiliários (TVM) e das aplicações ou depósitos compulsórios no Banco Central que são, em parte, remunerados pela Selic.

Até o final de abril desse ano os bancos possuíam R$ 45,87 bilhões em depósitos compulsórios nos cofres da autoridade monetária. Com a alta da Selic para 13,75% ao ano a remuneração dos compulsórios sobre depósitos a prazo deverá se elevar ainda mais e com isso as receitas dos bancos oriundas desses depósitos.

Em relação às aplicações em TVM, os balanços trimestrais recentemente divulgados pelos grandes bancos mostram expressivos aumentos das receitas oriundas dessas aplicações. No Santander essas receitas subiram quase 60%, no Bradesco, 64%, no Banco do Brasil, 92% e no Itaú Unibanco 210%! A receita com Títulos e Valores Mobiliários (TVM) é a 2ª maior fonte de receita dos bancos depois das receitas com operações de crédito. A receita com TVM dos cinco maiores bancos brasileiros (Banco do Brasil, Caixa, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander) no 1º trimestre de 2015 foi de R$ 56,4 bilhões.

Parte desses expressivos ganhos com TVM decorreram da elevação da Taxa Selic, que corrige cerca de 20% dos títulos da dívida pública em poder do público. Segundo dados do Tesouro Nacional, as Instituições Financeiras são as principais detentoras dos títulos públicos federais, com 27,7% de participação em fevereiro de 2015 que equivaleu a R$ 614,2 bilhões.

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