Contraf-CUT participa de seminário do Coletivo Nacional de Combate ao Racismo da CUT

Evento aconteceu no Rio de Janeiro

A Secretaria Nacional de Combate ao Racismo da CUT, reuniu, nos dias 14 e 15 de maio, na cidade do Rio de Janeiro, o coletivo para debater a conjuntura e os impactos da política do atual governo na vida da população negra, como reforma trabalhista e da previdência, encarceramento em massa da população negra e projeto anticrime.

De acordo com dados do Mapa da Violência de 2018, estudo realizado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) o Brasil teve, em um ano, 62.517 assassinatos, 30 vezes maior que o número de toda a Europa.

O perfil da esmagadora maioria das vítimas são jovens homens de 15 a 19 anos, especialmente negros das favelas e periferias, que respondem por 56,5% dos óbitos, com mortes violentas. O estudo revela ainda que, 71,6% das pessoas assassinadas são negras ou pardas.

Para o Secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT, Almir Aguiar, “a polícia brasileira é a que mais mata, mas também a que mais morre no mundo, nessa guerra insana, fruto da maior desigualdade social do planeta, que escolheu historicamente a cor do seu alvo, o povo Preto. No entanto, o Ministro Sérgio Moro, quer legalizar o crime de estado. O pacote anticrime tem este espírito que ganha coro na classe média, assustada com a violência, onde a solução reducionista é “bandido bom, é bandido morto”, afirmou.

Na sua fala sobre conjuntura, o ex-ministro Edson Santos, da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), do governo Lula, destacou a importância do Estatuto da Igualdade Racial para a população negra, e a política de cotas nas universidades, proporcionando o acesso de milhares de negros no curso superior.

Mercado de trabalho

Para Julia Nogueira, Secretária Nacional de Combate ao Racismo, “Não adianta mais a gente se capacitar se o mercado de trabalho não tem condição de assegurar nossa vaga de emprego. Isso mostra que nosso problema é sistêmico e não conjuntural”. A Reforma Trabalhista foi um mal que não conseguimos barrar, trazendo males como o regime intermitente. Com a reforma trabalhista as pessoas podem trabalhar de forma intermitente e não conseguir assegurar nem um salário mínimo no final do mês”, disse. Júlia afirma ainda que a situação pode piorar ainda mais com a Reforma da Previdência. “Três coisas são gravíssimas nessa proposta. Acaba o pacto entre gerações, na qual eu estou contribuindo para os já aposentados. A capitalização, que não é uma proposta nova, nunca deu certo em lugar algum e nos anos 80 nós já fomos capazes de derrotar essa proposta. A questão da constitucionalização, tirando por lei ordinária qualquer mudança que acharem relevante em qualquer governo. Hoje, por exemplo, diz que nenhum benefício pode ser menor que um salário mínimo, isso pode acabar”.

O encontro contou com a participação de vários palestrantes e mais de 30 sindicalistas de várias regiões do país.

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