Contraf-CUT participa de 20ª Reunião do Comitê da UNI Américas Mulheres, em Montevidéu

Encontro discutiu os efeitos das novas tecnologias sobre o trabalho das mulheres, seus impactos no futuro do trabalho e nas formas de organização da classe trabalhadora

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) se reuniu com representantes do Brasil e de diversos países do continente americano na 20ª Reunião do Comitê da UNI Américas Mulheres, em Montevidéu. O evento discutiu o acompanhamento das políticas definidas na 5ª Conferência Mundial de Mulheres da UNI, realizada em Liverpool, em junho de 2018.

Os desafios da conjuntura política e trabalhista da América Latina também fizeram parte do debate, que destacou os retrocessos em andamento no Brasil com a aprovação da reforma trabalhista e a luta contra a aprovação da reforma da Previdência.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), relativos ao primeiro trimestre de 2019, as mulheres representam 52% da população brasileira (108,3 milhões), mas possuem 45% de força de trabalho, ante 55% dos homens.

Mais de 15 milhões de mulheres estão subutilizadas no mercado de trabalho. Além disso, a remuneração real média das mulheres (R$ 1.924) é 21% inferior à dos homens (R$ 2.442).

Do total de mulheres ocupadas, 23,3% trabalhavam sem carteira de trabalho e 23,9% trabalham por conta própria, ou seja: quase metade das mulheres inseridas no mercado de trabalho não possuía registro em carteira, o que dificulta a contribuição previdenciária. Das 40 milhões de mulheres ocupadas, mais de um terço declararam não estar contribuindo para a Previdência.

Para a secretária da Mulher da Contraf-CUT, Elaine Cutis, “o evento é fundamental para que possa ser definida uma estratégia de enfrentamento internacional contra a política neoliberal e os retrocessos que retiram os direitos sociais. ”, disse.

Também foram debatidos os efeitos das novas tecnologias sobre o trabalho das mulheres, seus impactos no futuro do trabalho e nas formas de organização da classe trabalhadora.

Convenção 190 da OIT

O debate sobre a implementação da Convenção 190 da Organização Internacional do Trabalho, que coíbe a violência de gênero e o assédio sexual no ambiente de trabalho, também foi abordado durante o encontro. O movimento sindical teve participação efetiva na elaboração do projeto.

Amazônia

As representantes do Brasil também deram ênfase na questão da destruição da Amazônia. Será feita uma moção em defesa do bioma.

“O que estamos presenciando tem reflexo não só no Brasil, mas na América Latina e no mundo. É uma política predatória de destruição de um dos principais ecossistemas do mundo, unicamente para garantir o enriquecimento de poucas pessoas que se valem do sistema econômico capitalista neoliberal”, afirmou Neiva Ribeiro, vice-presidenta da UNI Mulheres e secretária-geral do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região

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