Casa da Mulher Brasileira em São Paulo é inaugurada sob protestos de movimentos feministas

Espaço tem como principal objetivo contribuir para a redução dos casos de violência contra a mulher e apoiar as vítimas de feminicídio

A Casa da Mulher Brasileira de São Paulo, que tem como principal objetivo contribuir para a redução dos casos de violência contra a mulher e apoiar as vítimas de feminicídio, foi inaugurada, nesta segunda-feira (11), durante evento com homens engravatados e policiais fortemente armados. Indignadas, as mulheres de esquerda protestaram em frente ao local.

“Lutamos tanto pela Casa da Mulher Brasileira e na chegada do seu evento de inauguração fomos surpreendidas com forte força policial e o impedimento da entrada das mulheres trabalhadoras e movimentos feministas”, contou Elaine Cutis, secretária da Mulher da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).

A inauguração do espaço se deu com a construção de um palanque com a presença de representantes do governo, em sua maioria, homens.  “Foi um evento com a maioria de homens engravatados fazendo discursos falsos, pois sabemos que este foi um governo que nunca olhou para a realidade das mulheres, e, além disso, ainda cortou o orçamento e fez um desmonte das políticas de enfrentamento à violência”, explicou Elaine Cutis.

De acordo com a secretária da Mulher da Contraf-CUT, “a Casa da Mulher Brasileira de São Paulo havia sido entregue e com orçamento previsto pelo governo anterior, porém o governo atual não tinha dado atenção ao projeto até então”, afirmou.

A importância da Casa da Mulher Brasileira

Fruto e parte principal do Programa “Mulher, viver sem violência”, lançado em 2013, pela Secretaria de Políticas para as Mulheres do Governo Federal, o projeto realizou várias ações, serviços de combate à violência contra a mulher, entre os quais consta a instalação de uma Casa da Mulher Brasileira (CMB), em cada capital de Estado.
O programa, e a própria criação da Casa da Mulher Brasileira, têm uma característica que nem sempre é observada e valorizada pela maioria dos governos. A ideia e a maneira como foi aplicada na prática não vieram da cabeça de um pequeno grupo de técnicos ou burocratas que consideram saber, sozinhos, do que o povo precisa. Tudo foi resultado de uma série de encontros, realizada em diversos pontos do Brasil, com a participação de mulheres de todas as classes sociais, raças, credos, profissões e níveis educacionais. Em São Paulo, esse encontro aconteceu durante a V Conferência Municipal de Políticas para as Mulheres, em setembro de 2015, e subsidiou a elaboração do Plano Municipal de Políticas para as Mulheres.
Das propostas apresentadas e debatidas naquela ocasião, uma que se destacou foi a de que era necessária a ampliação de serviços como Centros de Referência da Mulher, Centros de Cidadania da Mulher, Casas de Abrigamento Provisório e Casas Abrigos – essas inclusive de endereço sigiloso – para melhoria da abrangência e da qualidade do atendimento em seus vários aspectos. Eram necessários programas e ferramentas mais eficazes e bem planejados, funcionando de maneira combinada, para combater a violência, o racismo, machismo e homofobia, que afetam a vida das mulheres cotidianamente. As mulheres também propuseram e exigiram a implantação de iniciativas de formação profissional, geração de emprego e renda e aumento da participação social, cultural e política nos diversos espaços.
Esse tipo de serviço – o da CMB – é inédito em nosso país, pois prevê a implantação no mesmo local de diferentes instituições públicas especializadas para acolher a mulher que sofreu violência ou ainda está em situação de violência, a saber: atendimento social, psicológico, jurídico, alojamento de curta duração, Delegacia da Mulher, Juizado Especial, Promotoria Pública , Defensoria Pública, brinquedoteca para as crianças permanecerem enquanto as usuárias são atendidas, capacitação para autonomia econômica e encaminhamento para emprego. Essa concentração de serviços multiprofissionais em um mesmo local e em articulação com o Sistema Único de Saúde e com os serviços da rede de enfrentamento à violência de gênero, objetivam garantir maior eficácia e humanização, evitando que a mulher seja obrigada a fazer uma maratona por vários e distantes serviços.

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