Brasil é o que mais matou pessoas trans em 2019

Juventude é a que mais sofre com a violência
A group of protesters protested in favor of transsexual visibility on Avenida Paulista, in the central region of Sao Paulo, Brazil, on 27 January 2018. According to the organizers, the demonstration celebrated the national trans visibility day. The participants met in the opening of the afternoon in the free passage of the Masp "It is necessary to face the transphobic discrimination, which produces high levels of violence in our country. protagonist of the achievements of their rights! ", affirms text of the event in social networks. (Photo by Cris Faga/NurPhoto via Getty Images)

O Brasil é o país que mais matou travestis e transexuais no mundo em 2019. É o que diz o relatório da Associação Nacional de Travestis e Transsexuais (Antra), divulgado nesta quarta-feira (29), Dia da Visibilidade Trans. De acordo com o documento, na sequência também estão México (65 mortes) e Estados Unidos (31).

Na colocação mundial de países seguros para a população LGBTQIA+, o Brasil passou do 55º lugar de 2018 para o 68º em 2019 no ranking.  “O Brasil mais uma vez se encontra em péssima colocação quando o assunto é combate à violência contra as pessoas trans. É uma situação preocupante e não podemos permitir que a discriminação e o preconceito predominem no mundo”, afirmou Adilson Barros.

Na lista de estados, São Paulo se destaca como o mais violento. Em 2019, ocorreram 21 assassinatos, o que significa um aumento de 50% dos casos em relação a 2018 (14 mortes).

Ceará, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro também estão na lista dos maiores índices de crimes contra a população trans.

Juventude trans é a que mais sofre com a violência

O relatório apresenta também o perfil das vítimas da violência. Pessoas trans com idade entre os 15 e os 45 anos são as que mais são assassinadas. A pesquisa aponta que 59,2% das vítimas tinham entre 15 e 29 anos, 22,4% entre 30 e 39 anos, 13,2% entre 40 e 49 anos, 3,9% entre 50 e 59 anos e entre 60 e 69 anos, 1,3% dos casos.

“A morte de uma adolescente trans de apenas 15 anos ratifica o fato de que a juventude trans está diretamente exposta à violência que enfrenta no dia a dia”, ressalta o relatório.

Outro recorte da pesquisa é a questão racial das vítimas. Neste ano, houve 82% dos casos identificados como sendo de pessoas pretas e pardas e  97,7% dos assassinatos foram contra pessoas trans do gênero feminino.

“Veremos um reflexo da perseguição de setores conservadores do Estado frente às pautas pró-LGBTI e a campanha de ódio contra o que eles chamam de ‘ideologia de gênero’, que é um nítido ataque às pessoas trans”, afirma a instituição.

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