Bancos fecham 8.247 postos de trabalho entre janeiro e novembro de 2015

Apesar de passarem longe da crise, como o setor da economia que mais tem lucrado no Brasil, o sistema financeiro continua demitindo. É o que o comprova a Pesquisa de Emprego Bancário (PEB), divulgada nesta segunda-feira (21) pela Contraf-CUT. Entre janeiro e novembro de 2015, foram fechados 8.247 postos de emprego bancário em todo o país. O mês de novembro apresentou o segundo pior saldo do ano, com encerramento de 1.928 empregos, perdendo apenas para o mês de julho, quando foi impactado pelos programas de incentivo à aposentadoria, implantados no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal, com o fechamento de 3.069 postos de trabalho.

O estudo feito mensalmente, em parceria com o Dieese, usa como base os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e revela, mais uma vez, que os bancos múltiplos, com carteira comercial, categoria que engloba grandes instituições, como Itaú, Bradesco, Santander, HSBC e Banco do Brasil, foram os principais responsáveis pelos cortes. Eles eliminaram 5.790 empregos. Na Caixa foram fechados 2.423 postos de trabalho.

Demitem, mesmo obtendo lucros astronômicos

Os bancos continuam em 2015 apresentando os maiores lucros de sua história. Nada justifica o comportamento das instituições financeiras, que acumulam R$ 54,8 bilhões de lucro no terceiro trimestre deste ano. O crescimento do setor alcançou 24,3% neste período, nenhum outro segmento lucrou tanto.

Reduções por estados 

No total, 23 estados registraram saldos negativos de emprego, apenas quatro apresentaram saldos positivos. As reduções mais expressivas ocorreram em São Paulo (-2.122), Rio de Janeiro (-1.381 e Minas gerais (-794). Já o Pará, foi o estado com maior saldo positivo, com geração de 130 novos postos de trabalho, seguido pelo Mato Grosso (60).

Rotatividade e salário 

De acordo com o levantamento da Contraf-CUT/Dieese, além do corte de vagas, a rotatividade continuou alta. Os bancos contrataram 28.745 funcionários e desligaram 36.992 nos primeiros onze meses. A pesquisa também revela que o salário médio dos admitidos pelos bancos foi de R$ 3.534,06, contra R$ 6.263,20 dos desligados. Assim, os trabalhadores que entraram nos bancos receberam valor médio 56,4% menor que a remuneração dos dispensados.

Desigualdade entre homens e mulheres

A pesquisa mostra também que as mulheres, mesmo representando metade da categoria e tendo maior escolaridade, continuam discriminadas pelos bancos na remuneração. A média dos salários dos homens admitidos pelos bancos foi de R$ 3.889,65 entre janeiro e novembro. Já a remuneração das mulheres ficou em R$ 3.141,86 valor cerca de 23,8% inferior à remuneração de contratação dos homens.

A diferença de remuneração entre homens e mulheres é maior na demissão. As mulheres que tiveram o vínculo de emprego rompido nos bancos entre janeiro e novembro deste ano recebiam R$ 5.370,79, que representou 76 % da remuneração média dos homens desligados dos bancos, de R$ 7.058,17.

Veja aqui a íntegra da pesquisa

 

 

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