Banco Central veta plano de tarifas de bancos com bônus para celular

Carolina Mandl
Valor Econômico | De São Paulo

Depois de passar a inspecionar os pacotes de tarifas bancárias, o Banco Central (BC) detectou uma série de irregularidades nos produtos vendidos pelos bancos, principalmente nos planos cujos valores pagos são convertidos em bônus para falar ao celular, segundo o Valor apurou.

Em reuniões com os bancos nas últimas semanas, o BC alertou que esses pacotes ferem a regulação. Depois dessa advertência, a autoridade monetária deve começar a autuar formalmente as instituições, o que deve levar à retirada desses pacotes das prateleiras.

Diante das cobranças do BC, o Itaú Unibanco deixou recentemente de oferecer quatro pacotes de tarifas, sendo dois deles associados a bônus para celular. Bradesco e Santander ainda oferecem esses produtos.

Criados em 2010, a partir de uma iniciativa do Bradesco, os pacotes com bônus para celular se tornaram populares em um país que tem 278 milhões de linhas móveis. Os pacotes, que custam de R$ 15,90 a R$ 39,90 e prometem a conversão de 50% a 109% do valor pago em bônus para falar ao celular, são voltados especialmente aos clientes de baixa renda.

Para os bancos, esses planos foram fundamentais para engordar as receitas de serviços nos últimos anos, conforme afirmam as próprias instituições em relatórios a investidores.

O BC tem argumentado em reuniões com os bancos que os pacotes com benefícios como bônus de celular estão em desacordo com a regulação sobre tarifas, segundo relatou ao Valor um executivo que participou desses encontros, mas que prefere manter o anonimato. Pelas regras, os planos de tarifas só podem oferecer produtos bancários, como saques, extratos e transferências.

Ao incluir bônus de celular, a avaliação do BC é que a possibilidade de comparar os preços entre os pacotes oferecidos pelos bancos fica prejudicada.

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