Bancários paralisam agências do Itaú em Porto Alegre contra homologações fora dos sindicato

Indignados com a decisão do banco Itaú, que anunciou que não mais vai realizar as rescisões nos sindicatos, descumprindo a convenção coletiva dos bancários, que se encontra vigente até 31 de agosto, os bancários fizeram na quinta-feira (1/2), uma paralisação nacional em agências do banco que mais lucra no Brasil, com resultado acumulado de R$ 18,5 bilhões de janeiro a setembro de 2017. A mobilização foi definida pelo Comando Nacional dos Bancários, reunido no último dia 25 de janeiro, na capital gaúcha.

“Fechamos todas as agências do Centro de Porto Alegre, em sinal de protesto contra o desrespeito do Itaú aos direitos dos trabalhadores”, disse o presidente do SindBancários, Everton Gimenis. Também houve paralisações no interior gaúcho, assim como em outros estados.

Histórico
Não foi de graça que o dono do Itaú, Roberto Setúbal, apoiou o golpe e escreveu o artigo “A importância da reforma trabalhista”, publicado na Folha de S.Paulo em 2 de julho de 2017, exatamente nove dias antes do projeto do governo Temer ser aprovado no plenário do Senado, com os votos favoráveis dos senadores Ana Amélia (PP) e Lasier Martins (PSD) e o voto contrário do senador Paulo Paim (PT).

Passados menos de dois meses da vigência da lei 13.467, a chamada reforma trabalhista, o Itaú anunciou que não vai mais homologar as rescisões nos sindicatos.

Indignados, os bancários fizeram nesta quinta-feira (1º) uma paralisação nacional em agências do banco que mais lucra no Brasil, com resultado acumulado de R$ 18,5 bilhões de janeiro a setembro de 2017. A mobilização foi definida pelo Comando Nacional dos Bancários, reunido no último dia 25 de janeiro, na capital gaúcha.

O mesmo procedimento unilateral foi adotado pelo Santander, cujas agências foram igualmente paralisadas no dia anterior em todo o país.

Reforma trabalhista deve ser respondida com greve”
O presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, manifestou apoio aos bancários na capital gaúcha. Segundo ele, essa resistência é um exemplo que deve ser seguido por outras categorias de trabalhadores no momento em que as empresas aderirem. “A reforma trabalhista deve ser respondida com greve”, disse Nespolo. “Não vamos deixar essa gente arrancar o direito do trabalhador”.

“Essa é uma luta importante dos bancários contra a arbitrariedade do Itaú de retirar o direito à assistência do sindicato ao trabalhador que foi demitido”, protestou o secretário de Comunicação da CUT-RS, Ademir Wiederkehr. Muitas ações trabalhistas foram ajuizadas por causa de pagamentos indevidos nas rescisões.

Ademir, que é também diretor do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e da Contraf-CUT, ressaltou que é preciso resistir no Itaú e no Santander para evitar que isso seja implantado nos demais bancos. “Temos que assegurar que os direitos dos bancários sejam protegidos pelos sindicatos”, destacou.

Clientes solidários
A funcionária do Itaú e diretora da CUT-RS e do SindBancários, Cátia Cilene, denunciou que, apesar do lucro gigantesco do Itaú, as demissões nunca param, mostrando a falta de responsabilidade social do banco. “Por isso, as rescisões devem ser homologadas nos sindicatos”.

Cátia enfatizou que a clientela teve boa compreensão e, na sua maioria, apoiou a paralisação dos bancários. “Os clientes também sofrem com a exploração dos bancos, pagando juros altíssimos e tarifas abusivas”, apontou. “Com crise ou sem crise, o sistema financeiro nunca perde, lucra sempre mais e se apropria das riquezas dos povos”, concluiu.

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