Bancários e entidades indígenas lançam campanha SOS Xavante para conter pandemia

Segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), terça-feira 23 já havia 7.753 casos confirmados de contaminação em 111 povos, com 347 mortos

A pandemia da Covid-19 avança rapidamente sobre as populações mais vulneráveis, entre elas as nações indígenas. Segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), terça-feira 23 já havia 7.753 casos confirmados de contaminação em 111 povos, com 347 mortos. Mais da metade dos 800 mil indígenas brasileiros vive na região Norte e Centro-Oeste. Há estimativas de que a pandemia pode dizimar 40% de toda essa população, se não houver ações concretas e rápidas de contenção do coronavírus. Os cerca de 22 mil Xavante, quase todos habitando o Mato Grosso, estão entre os mais fragilizados e precisam de proteção de emergência.

Por isso a Federação dos Bancários do Centro-Norte (Fetec-CUT/CN) uniu-se à Federação dos Povos Indígenas do Mato Grosso (Fepoimt) e ao Condisi Xavante (Conselho Distrital de Saúde Indígena Xavante) para lançar nesta quarta-feira 24 de junho a campanha A’UWE TSARI – SOS XAVANTE. O lançamento será em uma Live virtual às 19h, na página SOS Xavante do Facebook.

Também participam da campanha os Expedicionários da Saúde, a Operação Amazônia Nativa (Opan), The Nature Conservancy Brasil, a Revista Xapuri, o Sindicato dos Bancários de Brasília e inúmeras personalidades nacionais e internacionais.

Todos os sindicatos filiados à Fetec-CUT participarão ativamente da campanha, principalmente os três que têm base no Estado do Mato Grosso (Seeb MT, com sede em Cuiabá, Seeb Rondonópolis e Sinbama, sediado em Barra do Garças).

“É urgente agir rápido para impedir mais um genocídio dos povos indígenas no Brasil. Nós, bancários, temos uma longa tradição de participação em campanhas de solidariedade e de cidadania. Podemos, e devemos, dar uma importante contribuição para salvar essas vidas, ajudando na sobrevivência dessas nações originárias e na preservação da sua cultura, fundamental para a nossa história e para o futuro do país”, convoca Cleiton dos Santos, presidente da Fetec-CUT/CN.

“Nosso objetivo é sensibilizar não apenas os bancários, mas toda a sociedade brasileira e a opinião pública internacional, visando arrecadar fundos e doações para atendimento emergencial aos Xavante. Nossa prioridade é levar atendimento médico via unidade de isolamento avançada e testes rápidos e garantir segurança alimentar e prevenção do contágio, com cestas-básicas, máscaras, kit de higiene etc. de acordo com as prioridades locais”, acrescenta Cleiton.

A busca por uma vida feliz e saudável

O nome A’uwe tsari, que se traduz por “ajude o povo Xavante“, ou simplesmente SOS XAVANTE, foi sugerido pelas próprias lideranças indígenas. Juntas, as palavras a’uwe (gente, povo) e tsari significam para os Xavante o vínculo com suas raízes, a busca por uma vida feliz e saudável, a cura pela natureza, a própria cosmogonia herdada de seus ancestrais nos jardins das plantas tortas, do bioma Cerrado, na região Centro-Oeste do Brasil.
 
No momento, infelizmente, há relatos de mortes e de pessoas enfermas em grande parte das mais de 300 aldeias Xavante. Um povo que heroicamente resistiu a 80 anos de contato com a sociedade nacional não haverá de sucumbir agora ante esta terrível pandemia.


Fonte: Fetec-CUT/CN

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