Bancários do Pará debatem Saúde Mental e Trabalho

Seminário também abordou o tema assédio moral

Aconteceu, na quinta-feira (23), na sede do Sindicato dos Bancários do Pará, o seminário sobre “Saúde Mental e Trabalho”. A abertura do evento contou com a palestra “O que é assédio moral?”. A atividade foi uma parceria entre a entidade sindical com o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST).

Uma pesquisa feita pela Federação Nacional dos Bancos, em 2016, apresentada pela psicóloga, 38,1% dos entrevistados que trabalham na Caixa acreditam que metas elevadas causam problemas psicológicos.

Já no Bradesco, 27,9% dos funcionários acreditam que metas elevadas geram problemas familiares. Enquanto que no Santander, 54,2% dizem receber ameaças de punição ou demissão caso não entreguem as metas.

“Não negar as primeiras reações físicas e psicológicas que aparecem já é um importante passo, e muito mais que isso, buscar ajuda com os órgãos especialistas na saúde do trabalhador, como os centros de referências e o próprio sindicato, que dão as orientações e suportes necessários ao trabalhador e trabalhadora nesse momento difícil de se compreender e encarar”, orienta a psicóloga da Fundacentro, Laura Nogueira.

Mas para a especialista, o combate ao assédio pode começar no próprio local de trabalho com espaços de diálogo, mudanças na organização do trabalho, grupos de saúde do trabalhador e parcerias entre os centros de referências e as entidades sindicais.

 “É muito difícil caracterizar assédio no ambiente de trabalho, até o INSS, não faz essa relação do adoecimento com o trabalho, considerado o afastamento por algum tipo de doença comum. Mas nós, enquanto Sindicato, emitimos a CAT por entender que a doença está sim relacionada ao trabalho, conforme relato dos adoecidos. Ano passado registramos 29 CAT’s em todo o Pará”, destaca a diretora de saúde do Sindicato, Heládia Carvalho.

‘Reforma’ da Previdência e Trabalhista

A tarde, a programação continuou com temáticas sobre a ‘reforma’ da Previdência e Trabalhista, com a palestra “As consequências da ‘reforma’ Trabalhista na saúde dos trabalhadores”, ministrada pela auditora fiscal do trabalho da Superintendência Regional do Trabalho (SRT), Edna Rocha, que relembrou a importância de debater o atual momento político do país.

“Nós (trabalhadores) não tivemos atitudes para buscar mudanças. Não é hora de dar aquele passo para trás para refletir, precisamos agir. Nesse processo, é preciso ler e conhecer a ‘reforma’ Trabalhista, para compreender o motivo da luta e como lutar”, ressaltou Edna.

A auditora também reforçou que a extinção do Ministério do Trabalho prejudica o processo de detectar fatores que vão do trabalho análogo a escravidão a problemas de saúde mental. Inclusive, de acordo com ela, a saúde mental do trabalhador está cada vez mais fragilizada devido à perda do contato humano e o costume de levar trabalho para casa, e até mesmo por conta da tecnologia e grupos de Whatsapp, que tornam o trabalho sempre presente, até nos fins de semana e momentos de lazer.

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