Bancários de Porto Alegre realiza ato em defesa da Banrisul Cartões e anuncia ação judicial

No início da tarde da terça-feira (24), enquanto dirigentes do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, da Fetrafi-RS, realizavam um ato público em defesa da instituição, na Rua Caldas Jr., em frente à DG do Banrisul, no interior do prédio preparava-se uma reunião com um objetivo radicalmente contrário. Os acionistas da Banrisul Cartões – a joia da coroa do grande banco estadual – davam mais um passo no processo de abertura da venda de ações do setor, após a abertura de seu capital em 10/4, em outra assembleia. Durante a manifestação pública, o Sindicato anunciou que estuda ação jurídica para barrar as operações de desmonte do banco.

“Enquanto o Banco do Brasil e outros bancos públicos investem no mercado de cartões que é cada vez mais lucrativo, aqui no Estado o governador e o banco querem entregar o setor mais rentável para o mercado”, afirmou Luciano Fetzner, secretário-geral do Sindicato. “Estão desmontando o Banrisul a troco de quase nada, para colocar algum dinheiro nos cofres do governo Sartori. Ao apagar das luzes deste governo medíocre, ele comete este crime contra o patrimônio público”, completou.

Para o diretor da Fetrafi-RS, Fábio Soares, com o acúmulo de decisões contra o próprio Banrisul, “o banco já não tem mais direção!”. Ele arrematou: “O Banrisul não é do BTG Pactual (que intermediou a compra de ações), e não existe para jogar dinheiro na contabilidade do governo falido de Sartori. O Banrisul é dos gaúchos”, afirmou.

Todas as manifestações – que incluíram afirmações do deputado Jeferson Fernandes e da vereadora Sofia Cavedon – defenderam o caráter público do grande banco estadual, ameaçado pelo fatiamento que vem sendo imposto pelo governo Sartori.

“Exatamente no ano em que o Banrisul está completando 90 anos de existência, um leilão realizado quase em segredo, com vendas de ações abaixo do preço de mercado, ajuda a corroer e destruir este patrimônio estadual”, denunciou o deputado petista, Jeferson Fernandes. Ele chamou a atenção ao lembrar que “a tese dos privatistas é se desfazer do que não dá lucro, mas aqui no RS o Sartori faz o contrário: quer vender um banco altamente lucrativo e que presta um papel social incalculável, inclusive para os pequenos municípios do Estado”.

Tribuna Popular na Câmara Municipal

Já a vereadora Sofia Cavedon disseque, neste episódio do Banrisul, “uma história que a gente já conhece: privatistas vão desmontando as estruturas públicas para depois dizerem que não funciona”, alertou. Ela anunciou que irá realizar na Câmara Municipal de Porto Alegre uma “Tribuna Popular” para debater e denunciar os desmandos do governo estadual sobre o Banrisul.

Diretores servis

“Hoje, enquanto denunciamos o desmonte do banco, está havendo uma reunião interna com diretores que são funcionários de carreira e estão numa posição servil ao governo estadual”, criticou Denise Falkenberg Corrêa, diretora da Fetrafi-RS e funcionária do Banriusl. “É um escândalo, pois o leilão de ações foi coordenado por um diretor do Banrisul que já foi funcionário do BTG Pactual, e é a mesma empresa que intermediou a operação”, denunciou a sindicalista.

Falta de transparência

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, criticou os que diziam que Sartori, ao vencer as eleições ao governo Sartori, não tinham projeto de governo: “Ele tinha sim: seu projeto era privatizar e entregar o patrimônio público à iniciativa privada!”, afirmou. “Ele extinguiu fundações públicas que realizavam seu trabalho ao custo de 10% do preço que agora as empresas privadas cobram para fazer”, exemplificou. “Por isso mesmo, o leilão de venda de ações foi praticamente secreto, pois o banco não anunciou fato relevante, reduzindo a participação e terminando por baixar o preço mínimo de venda, tudo sem realizar um processo licitatório”.

Gimenis informou que o SindBancários já fez denúncia do processo ao Ministério Público de Contas (MPC). “Não bastasse tudo isso, hoje (terça-feira) o banco começa a entregar seu filé mignon, que é A Banrisul Cartões. Este setor foi o responsável por um quarto do lucro do banco em 2017. A atual direção do Banrisul é covarde, pois diz amém a tudo que vem do Sartori, mesmo sendo formada por funcionários de carreira”.

Também o “presente” de mais de R$ 40 mil que a direção do banco depositou recentemente na conta dos superintendentes que trabalham na DG, foi lembrada pelo presidente Gimenis. “Este dinheiro, que não é para todos os funcionários, é uma espécie de ‘cala a boca’ para esses gestores, que aceitam tudo que vem do governo estadual, esquecendo-se que são funcionários de carreira do banco, que eles sabem da importância para o Rio Grande”.

Ação judicial

Ao finalizar, Gimenis disse que o Sindicato vai tentar barrar na Justiça as últimas operações de desmonte do Banrisul e estuda uma CPI na Assembleia Legislativa sobre os desmandos do governo Sartori.

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