Acampamento Nacional em Defesa da Democracia em Brasília discute crise, voracidade capitalista e golpe

A militância organizada do Acampamento Nacional em Defesa da Democracia participou ativamente das atividades de formação política nessa . Concentrados no ginásio Nilson Nelson, os militantes receberam estudiosos, parlamentares, juristas e lideranças de movimentos sociais que discursaram contra o golpe de estado em curso na Câmara dos Deputados e pela manutenção e ampliação das políticas sociais que transformaram o Brasil a partir da eleição de governos democráticos populares.

Centenas de militantes participaram de Plenária de Formação, onde debateram sobre a atual situação política e econômica do país e as circunstâncias históricas e sociais que possibilitaram a crise e que reacenderam a revolta de uma direita conservadora, fascista e golpista. 

Para o presidente nacional do MST, João Pedro Stedile, a crise do capitalismo teve um papel fundamental em todo processo que vivemos atualmente.  “O sistema capitalista mundial está em crise, o capitalismo e sua forma de exploração estão em crise e cada vez que o capital está em crise vai com mais sede para privatizar os recursos da natureza, os minérios, o petróleo, e várias outras riquezas que devem servir ao povo. O empresariado propõe o neoliberalismo para acabar com a crise, a burguesia está desesperada e quer sair da crise aumentando seu lucro na ilusão de que isso vai fazer a economia crescer. Só que para aumentar o ganho, eles vão retirar direitos da classe trabalhadora”, afirma João Pedro.

O dirigente social acredita ainda que, apesar de ter havido inegável avanço nos últimos 13 anos de governos democráticos populares, ainda é muito pouco perto do que a população brasileira precisa.  “Os governos Lula e Dilma não realizaram as reformas populares, que são o clamor do povo.  Ainda falta muito para que haja as reformas agrária, tributária, urbana e todas as outras que são essenciais para nós. Lula dobrou o número de estudantes universitários, mas ainda tem 85% de jovens pobres que não entram na universidade e isso é um problema grande. Mas com o pouco que eles conseguiram mudar com as moradias populares, a valorização do salário mínimo e a inclusão dos mais humildes foi o suficiente para fazer com que a burguesia se voltasse contra esse governo e tentasse tomar o poder a força”, afirma João Pedro.

O  deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), reconhecido pelos trabalhadores por sua luta contra os Projetos de Lei que desfavorecem os direitos classistas, compareceu à plenária e saudou a militância. “É um orgulho enorme poder estar aqui com vocês pra defender o Brasil,  a  democracia e dizer em alto e bom som: não vai ter golpe. Estamos assistindo ao retorno de tudo o que é pior na política. Temos uma presidenta honesta sendo julgada por um presidente da Câmara que devia estar preso. Uma gangue de bandidos julga um processo de impeachment que nada mais é do que uma tentativa desesperada de tomar o poder. Mas o povo está nas ruas pra dizer que Cunha não vai ser vice presidente, Temer não foi eleito e Aécio tem que entender que não ganhou as eleições em 2014”, afirmou o parlamentar.

O presidente da Federação Única dos Petroleiros, José Maria, também acredita que a aliança entre camponeses e operários barrará o impeachment na Câmara dos Deputados no próximo domingo. Para o sindicalista, a disputa pelo petróleo está na linha de frente dos golpistas. “A grande mídia faz questão de dizer o tempo inteiro que o Partido dos Trabalhadores quebrou a Petrobras. Isso é uma grande mentira de quem quer entregar o  petróleo para as multinacionais estrangeiras. Desmoralizam a nossa empresa, mas estamos aqui pra dizer que não vamos ser julgados por meia dúzia de pessoas que roubaram a Petrobras. A cobiça internacional sobre a Petrobras aumentou consideravelmente depois da descoberta do Pré Sal, mas nós não permitiremos que essa riqueza seja tomada dos trabalhadores, não permitiremos que essa riqueza escorra de nossas mãos”, afirmou o petroleiro,

Após a Plenária, boa parte dos militantes também participou de debate sobre a importância do Estado Democrático de direito, que teve início aproximadamente às 18h e contou com a participação do ex-presidente da UNE, Aldo Arantes, e do líder do PC do B na Câmara, Daniel Almeida. Depois das 20h, vários artistas da capital se apresentam voluntariamente para os militantes encerrando mais um dia de luta e organização pela democracia.​ São todas atividades preparatórias para a grande manifestação de domingo, a partir das 12h, na Esplanada, para barrar o golpe de estado em curso na Câmara dos Deputados.

Pela manhã, o presidente nacional do MST, João Pedro Stedile, esteve no Comitê em Defesa da Democracia e Contra o Golpe, instalado na CUT Brasília, onde deu entrevista sobre os 20 anos do massacre de Eldorado dos Carajás (PA), lembrado na Jornada Nacional de Luta por Reforma Agrária e pela Democracia, realizada nesta sexta-feira (15) por trabalhadores sem-terra em todo o Brasil. Assista ao vídeo em que Stedile afirma que, agora, o país passa pelo risco de um segundo massacre: dessa vez, dos mais de 54 milhões de votos que elegeram Dilma Rousseff presidenta da República.

 

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