13 de maio: uma data para reflexão

País completa 131 anos de uma abolição inacabada

Em 13 de maio de 1888, foi decretado o fim da escravidão legal no Brasil, com a assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel. O país foi o último do Ocidente a abolir a escravatura, após três séculos de trabalho forçado. Ainda assim, atualmente, ainda é possível se deparar com situações de exploração e racismo em locais de trabalho e na sociedade.
Para o secretario de Combate ao Racismo da Contraf-CUT, a data (13 de maio) completa 131 anos de uma Abolição Inacabada. “Até os dias atuais negros e negras sofrem com a discriminação e o preconceito numa cultura de país escravocrata, na qual os negros sofrem na pele a discriminação tanto no mercado de trabalho, como na vida. E hoje com o fim das políticas afirmativas que introduziu negros nas universidades, que tirou mais de 30 milhões de pessoas da extrema pobreza, estão sendo desarticulada pelo atual governo”, afirmou.
O grande ápice que levou a assinatura da Lei Áurea, no século XIX, foi a organização de negros das negras nos Quilombos e as revoltas pelas liberdades nas fazendas. ” Tivemos também a participação de intelectuais da época como Luis Gama, André Rebouças, José do patrocínio, Joaquim Nabuco e muitos outros. Ou seja, a princesa Isabel antecipou um fato que já estava para acontecer”, disse Almir Aguiar.
O jornalista e escritor Oswaldo Faustino, que atuou em diversos veículos de comunicação e integra a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira), destacou, em entrevista para a Brasil de Fato, a luta e a resistência dos próprios escravizados pela liberdade e lamentou que, atualmente, algumas pessoas se vangloriem por serem racistas.
“Os comediantes acham divertido fazerem piadas racistas e se sentem no direito de fazerem essas piadas, ‘porque eu estou apenas fazendo rir’. Então, nós estamos vivendo um dos piores momentos do racismo brasileiro, porque, hoje, já há pessoas orgulhosas disso. Então, não é uma luta negra, é uma luta de todos, é uma luta que a sociedade vai sofrer muito se a gente não acabar com o racismo”, comentou.

Desigualdade racial no Brasil

A desigualdade racial no Brasil é gritante. Dados do IBGE (PNAD) comprovam: dos 13 milhões de brasileiros desocupados em 2017, 8,3 milhões eram pretos ou pardos, ou seja, 63,7% deles. A Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar 2017 também apontou que o rendimento dos trabalhadores pretos ou pardos era de R$ 1.531,00, enquanto de trabalhadores brancos era de R$ 2.757,00.
O setor bancário também reflete a desigualdade e a discriminação. De acordo com o Censo da Diversidade 2014, os negros correspondem apenas a 3,4% da categoria, e os pardos a 21,4%.
De acordo com o secretario de Combate ao Racismo da Contraf-CUT, “o sistema financeiro é muito desigual quando se trata da participação de negros e negras no mercado de trabalho, a representação é muito pequena diante do quadro nacional, além do negro receber em média 28% do salário do bancário não negro, a cor da pelo é um dificultador para ascensão profissional. Esperamos ter um quadro exato no próximo censo da diversidade, para que os bancos parem com essa política discriminatória e implemente uma política de contratação com espaços nas funções mais qualificadas no setor bancário”, concluiu.

Compartilhe:

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on telegram
Telegram